Carlos Alberto Josuá Costa

Era um domingo qualquer. Não fosse uma chamada telefônica que insistia no toque e uma morosidade minha em atender, em nada modificaria minha rotina dominical: assistir filmes em DVD, ler os jornais, vagar pelos canais televisivos em busca de algo que atraia minha atenção, ou ainda, folhear livros em busca de frases e parágrafos sublinhados (artifício que utilizo para recordar como andava meu estado emocional e perceptivo na primeira leitura).

Trim…  Trim… Trim…

Rompi a inércia e atendi: Alô, quem é?

É Edson!

Edson?

Sim. Da Fábrica de Mosaico Iracema.

Edson da Costa Bezerra é um dos bons filhos que Deus colocou neste mundo alvoroçado de hoje. Sua tranquilidade no falar e, o conteúdo de seus argumentos, exprimem fielmente suas atitudes de bondade.

Receber os amigos para uma boa conversa ao redor da piscina tornava as manhãs dos domingos mais agradáveis.

Para dar vida ao ambiente, dispunha de vários tipos de instrumentos musicais para aqueles que quisessem tocar e cantar.

Até aí tudo bem.

Voltemos ao telefonema recebido:

Olá Edson! Em que posso ajudar?

As próximas palavras me deixaram atordoado: Vamos aprender a tocar cavaquinho?

Edson, eu gosto muito de música e admiro quem tem afinidade em extrair sons dos instrumentos, mas não tenho nenhuma habilidade para tal mister.

A resposta foi fatal: “já matriculei você para juntos aprendermos os acordes das cordas do cavaquinho”.

Tentando escapar, com voz firme, arrisquei: Edson, nem cavaquinho eu tenho.

Mero engano.  A resposta: “já comprei um para você também”.

Alguns minutos de silêncio. Parecia que cada interlocutor refletia: “Não posso aceitar”. “Ele vai aceitar”.

Restava uma saída: Edson, estou sem carro para me deslocar e sem horário disponível.

Não se preocupe.  Você vai comigo. Apanharei você na sua casa e é no sábado à tarde.

Lá se foi eu e ele para a primeira aula.

Boa tarde! Já tocou algum instrumento? Só sino quando ajudava missa no “Ginásio Salesiano São José”.

É fácil. Cada corda tem uma numeração que vai de 1 a 4 e cada traste (trastes: pequenas barras de metal dispostas paralelamente em toda extensão do braço do instrumento) também.

Bastar colocar o dedo na corda 3 e no traste 4 para soar uma nota musical.

Com seis aulas lá estava eu metido naquela “aritmética” (4,3) (2,1) (4,4)…

Pois não é que aprendi uma música!

Até lembro: AS ROSAS NÃO FALAM.

Só tinha um detalhe: se pulasse um par numérico, adeus música.

Assim seguimos até que a professora voltou para sua cidade e as aulas foram interrompidas.

Ufa!  Livrei-me.

Trim… Trim… Trim…

Alô! É Edson.

Da Fábrica de Mosaico Iracema?

Sim.

Não vou, não compre nada e nem me matricule. Estou com os dedos “desmentidos”.

Calmo amigo, eu só quero saber se você vai ao jogo do Alecrim Futebol Clube.

Carlos Alberto Josuá Costa – Engenheiro Civil e Consultor (josuacosta@uol.com.br)

 

 

 

Ponto de Vista

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