METAMORFOSES –
O historiador romano Publius Cornelius Tacitus disse que “não há no mundo nada inventado pelo homem que o tempo não destrua”. Frase lapidar, verdadeira e nunca contestada. Acredito na evolução das ciências, todas, indistintamente, direcionadas ao bem da humanidade. Assunto vasto que pode parecer vago mas o novo milênio carrega em seu ventre inchado muita mistura podre que não deve ser confundida com evolução. O mundo de hoje pede resultados cada vez mais objetivos, práticos, sem as superficialidades do consumismo que vem de dentro de nós. Em todas as atividades humanas, são exigidas: a fidelidade, a seriedade, a idoneidade, entre outros valores, para que sejam alcançados e balizados os índices de competência e pragmatismo. O planeta terra parece mais obra do demônio do que de Deus, frente às deformidades e mutações da modernidade.
Quero me deter, apenas, neste texto, a um segmento que não provém do homem mas do Criador. Refiro-me ao cristianismo nascido e ungido no Antigo e no Novo Testamento. Nas igrejas, de modo geral, aprende-se pouco sobre as Escrituras. Os artefatos e artifícios de algumas delas – através do exagerado uso da música e da dança – vendem mais o “peixe” explorando o nome de Jesus. Chegam hoje, a patamares absurdos, abusivos e repulsivos. Nos templos, nos palcos e nas emissoras de televisão, a palavra desapareceu para ceder lugar à dança e ao ritmo profanos. Como achei Jesus no silêncio e na serenidade, duvido que Ele ouça com essa parafernália toda, o seu nome. Não creio que a pantomima de certos ofícios ditos religiosos sejam elevação, mas sim, ritos estranhos que lembram os tempos dos deuses pagãos da antiguidade greco-romana e egípcia. Não representam, criatividade mas assombração que despertam mais medo do que religião, caminho, verdade e vida. Não agregam novos valores cristãos, mas mundanos porque deturpam os postulados doutrinários e comportamentais. Resumindo: são invenções do homem que o tempo vai destruir, conforme o romano Tacitus afirmou, no início.
A verdade é que querem transformar as religiões em desfile de calouros. Jesus Cristo virou produto de marqueteiros espertos. Determinadas congregações vulgarizam o nome e a mensagem do Salvador fazendo sobressair mais as máquinas de caça níqueis num mundo de fantasias e atos suspeitos. Algumas igrejas não se abrem mais para um pensador, um teólogo, um doutrinador, um evangelizador, mas para os cantores e músicas “sacras” com toda parafernália de sons, imagens, metais e ruídos. Entendo que o louvor a Deus provém dos salmos. E os hinos e cânticos sejam entoados com respeito e compostura. Pela televisão, já assisti “louvor” a Deus em ritmo de reggae, xaxado, rock-roll, twist e funk com muito requebrado que me faz enxergar naquele ato mais Michael Jackson do que Jesus Cristo. Por que certas igrejas permitem tais coisas como se constituíssem uma inovação? É claro que sugerem uma descaracterização, uma apelação ou um divertimento, onde as qualidades cristãs são metamorfoseados. A dignidade cristã do ser humano no ato de glorificar e louvar o nome do Senhor não está no barulho, nem no poder, nem na riqueza, mas na humildade e na simplicidade de ser e agir.
Repriso a frase que ouvi no caminho de Damasco: “bem aventurados” os ruidosos deste mundo porque deles é o reino do caos.
Valério Mesquita – Escritor, mesquita.valerio@gmail.com
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Ponto de Vista

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