“MENINA QUE SOU” –

Uma das coisas que mais gosto é de incentivar escritores adormecidos pela timidez ou pela falta de oportunidade em tornar visível aquilo que guardam nos recortes e folhas de papel. São autores que transportam seus sentimentos e emoções para seu “confidente” amigo: o caderno de anotações. Esses escritos são guardados com tanto carinho, que cada vez que são encontrados, lidos e relidos, trazem aquela sensação de ligação com o passado, quiçá um momento marcante.

Uma dessas eminentes – Lucinha, utiliza o vocativo ‘Olá gente amiga e querida!’, cada vez que encontra um amigo ou amiga, numa demonstração de alegria que contagia a todos que a rodeiam.

Pois bem. De tanto insistir, eis que recebo de Lucinha, EU SOU, onde ela se afirma como ‘menina que é’ rebuscando no tempo as lembranças de uma vida bem vivida.

Vejamos:

EU SOU

“Eu sou aquela menina nascida no interior. Que brincou na rua, deslizou nas calçadas molhadas pela chuva, entregou-se às emoções “do esconde esconde”, “passa pedra”, “rica e pobre” e, até o “pisca pisca” onde ficávamos no centro da roda para receber as piscadinhas como se fosse um namoro inocente.

Eu sou aquela pré-adolescente que foi morar na casa da avó, numa cidade maior, para ter um conhecimento cultural e educacional melhor.

Eu sou aquela adolescente que descobriu o mundo emocional, com as paixonites que a faziam perder o sono.

 

Eu sou aquela jovem moça que foi pra capital, estudar e trabalhar. Era importante buscar sua independência.

 

Eu sou aquela mulher sonhadora, que apaixonou-se, casou-se e teve três filhos maravilhosos.

 

Eu sou aquela mulher que viveu outros casamentos, amou, chorou, sofreu e superou.

 

Eu sou agora uma mulher envelhecente, independente, feliz, grata e que continua sorridente!”

Para quem conhece Lucinha, ela é mais do que ‘mostra’ na sua linha do tempo. Lucinha possui um coração muito maior do que aquele que bate em seu peito. A cada palpitar, seu coração se expande para acolher mais e mais amigos.

Claro que Lucinha, como cada um de nós, também tem os seus momentos de reflexão e de introspecção pelos percalços de uma existência que demanda, em doses emocionais, momentos de espera para dar seus passos na melhor direção. É como um barco que, conforme o vento sopra, redireciona a vela para seguir a missão que Deus lhe deu.

Ótimo quando Lucinha diz: “Eu sou agora uma mulher envelhecente, independente, feliz, grata e que continua sorridente!”

Mas no espelho da vida, seu reflexo traduz: Menina que sou!

Siga firme!

 

 

 

 

 

Carlos Alberto Josuá Costa – Engenheiro Civil, escritor e Membro da Academia Macaibense de Letras (josuacosta@uol.com.br)

As opiniões contidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
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