MANIA DE PEDIR – Ana Luíza Rabelo

MANIA DE PEDIR –

Faz parte da natureza humana procurar simplificar suas atividades, tornando-as mais fáceis. Seja pela tecnologia, seja delegando e repartindo funções, o homem sempre busca formas de facilitar sua jornada e expandir sua zona de conforto. Todas as ações nestes sentidos são corretas e válidas, mas, no percurso, estamos aprendendo a pedir. Estamos nos condicionando a ocupar o tempo de outras pessoas, tempo este tão precioso quanto o nosso, com pedidos tão tolos quanto inúteis. Coisas simples e que não causariam transtorno à nossa própria trajetória se nos dispuséssemos a fazê-las nós mesmos.

Não há nada de errado em solicitar ajuda quando realmente necessitamos dela ou quando nos for ofertada de boa vontade. A humildade é uma característica nobre e pode ser exercida sempre que necessário for, mas “gastar” sua cota de favores sem que seja indispensável não passa de uma maneira de acomodar-se e de incomodar o próximo. Nunca é demais lembrar que a preguiça também é um pecado capital.

Estamos criando um exército de “pedintes”, que abusam da boa vontade alheia sem critério. Que interceptam suas próprias chances de crescimento e evolução sem qualquer necessidade real. Ensinamos, através do exemplo, que é mais fácil pedir do que fazer e orientamos as cabeças que comandarão o mundo no futuro que pedir “um favorzinho” sempre que se tem vontade é normal, quando não é. A educação nos ensina a oferecer na mesma medida que nos ensina a recusar. Estimular a indolência a custa do esforço alheio é “feio” e injusto.

O fato é que todos devemos agir com boa fé e nunca tentar tirar proveito de quaisquer situações. Quando solicitados, é de suma importância que tentemos, na medida de nossas forças, atender os anseios do irmão, mas devemos utilizar a consideração alheia como gostaríamos que a nossa fosse utilizada. Sem sobrecarga, sem exigências demasiadas ou fúteis.

Para tentar interromper esse ciclo vicioso, é preciso ter critério na hora de verbalizar seus próprios pedidos, e usar de má vontade não é solução. Todos devemos estar dispostos a auxiliar o próximo e fazê-lo sempre de boa vontade, porém, na hora de pedir, a regra é racionalizar e não radicalizar. Sempre que estiver prestes a pedir mais um “favorzinho”, se ponha no lugar da outra pessoa, pense se você se sentiria confortável com tal solicitação, se não vai causar transtorno ou “dar trabalho”, e, só depois, peça.

 

 

Ana Luíza Rabelo Spenceradvogada (rabelospencer@ymail.com)

As opiniões contidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
Ponto de Vista

Recent Posts

Fortuna de Elon Musk bate recorde e alcança US$ 788 bilhões com alta das ações da Tesla

A riqueza de Elon Musk voltou a atingir um patamar histórico nessa quinta-feira (22), impulsionada pela…

7 horas ago

COTAÇÕES DO DIA

DÓLAR COMERCIAL: R$ 5,3080 DÓLAR TURISMO: R$ 5,4970 EURO: R$ 6,2110 LIBRA: R$ 7,1560 PESO…

10 horas ago

Espanha recusa convite de Trump para fazer parte do ‘Conselho da Paz’; veja lista de quem mais declinou

A Espanha recusou o convite do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para fazer parte do "Conselho da Paz"…

11 horas ago

Programa Ponto de Vista alcança a marca de 81.600 de visualizações!

Nós que fazemos o Programa Ponto de Vista celebramos as 81.600 de visualizações no Youtube!…

11 horas ago

Espanhol com suspeita de superfungo mora em Pipa e passou 15 dias em unidade de saúde de Tibau do Sul

O paciente de 58 anos com suspeita de estar com o superfungo Candida auris, no Rio…

11 horas ago

Tartarugas são flagradas desovando no litoral do RN pela manhã, fato incomum

Duas tartarugas-de-pente foram flagradas nessa quinta-feira (22) desovando na praia de Búzios, em Nísia Floresta,…

11 horas ago

This website uses cookies.