Manchas de óleo voltaram a aparecer no litoral Sul do Rio Grande do Norte na última quarta-feira (24). O Comando Unificado de Incidentes do RN informou que os “pequenos fragmentos” foram encontrados na Praia de Tabatinga, no município de Nísia Floresta. O material foi recolhido para análise no Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira, no Rio de Janeiro.
De acordo com o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema), o reaparecimento de óleo é esperado após os acontecimentos no litoral brasileiro no segundo semestre de 2019, sobretudo no Nordeste. No entanto, o órgão diz que não há como “indicar relação dos fragmentos encontrados em Tabatinga” com o material encontrado no ano passado até os resultados das análises.
Ainda assim, esse retorno está dentro do previsto. “Parte do óleo pode ter sido depositado no fundo do mar ou na praia e reaparecer meses após, em função das condições meteorológicas e oceanográficas, como direção e velocidade dos ventos e das correntes marítimas no atual período. Entretanto, somente análises laboratoriais podem confirmar a relação com o derramamento de 2019”, explicou o professor Flávio Lima Silva, que coordena o Projeto Cetáceos Costa Branca, da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (UERN).
Consultada pelo Portal G1 sobre o andamento das investigações em relação ao aparecimento do óleo no litoral brasileiro em 2019, a Polícia Federal disse que “não tem nada a acrescentar sobre o assunto”.
Além do recolhimento dos fragmentos para a análise, a equipe de Inspeção Naval da Marinha também fez a limpeza da área atingida. O Comando Unificado de Incidentes do RN é formado pela Marinha, Idema, Defesa Civil do RN e Projeto Cetáceo, além do Comitê de Bacias Hidrográficas, ONG Oceânica, MPF, MPRN, Ibama, UFRN e secretarias municipais.
As manchas de óleo atingiram 779 locais no litoral do Nordeste e Sudeste desde o final de agosto de 2019. A substância é a mesma em todos os locais: petróleo cru. O fenômeno afetou a vida de animais marinhos e causou impactos nas cidades litorâneas.
Os primeiros registros foram em 30 de agosto, na Paraíba. No litoral do Rio Grande do Norte, a primeira confirmação foi no dia 7 de setembro.
No estado, esse mesmo material atingiu tartarugas, que precisaram de tratamento, e parte da vida marinha. Até outubro do ano passado, mais de 3,6 mil toneladas de óleo haviam sido recolhidas.
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