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Mais da metade dos rios do Brasil está sob ‘pressão’ e com vazão em risco, aponta estudo sobre nível de poços

Reservatório da represa de Itaparica, no rio São Francisco, fotografado a partir da Estação Espacial Internacional, em 2016. — Foto: Nasa/Wikimedia Commons

superexploração das águas subterrâneas já ameaça o fluxo da maioria dos rios brasileiros. De acordo com um novo estudo realizado por pesquisadores da Universidade de São Paulo, em parceira com colegas americanos, mais da metade dos rios do país já apresenta risco na redução do nível das águas.

A pesquisa, publicada na revista científica “Nature Communications”, analisou quase 18 mil poços em todo o território nacional e percebeu que a maioria deles, 55%, fica abaixo das superfícies dos riachos próximos. Isso implica que esses riachos próximos provavelmente estão se infiltrando no subsolo e podem acabar perdendo fluxo.

Segundo os pesquisadores, a exploração desses riachos causa a percolação do rio para o subsolo, o que poderia comprometer o fluxo de água. ️A percolação é o movimento da água através do solo. À medida que a água se infiltra nas camadas mais profundas da terra, ela atinge a água subterrânea, conhecida também como lençol freático.

➡️ Para um rio ganhar ou perder água depende principalmente da diferença entre o seu nível e o do poço (formação que armazena água subterrânea) mais próximo.

Além de comprometer a vazão dos rios, o que pode afetar a disponibilidade de água para consumo humano, os ecossistemas aquáticos e até a paisagem, o uso excessivo de água subterrânea pode favorecer o afundamento do solo ou ainda o colapso da superfície.

“Esse cenário já foi observado na Índia e na Califórnia, e o Brasil pode vir a enfrentar problemas semelhantes se não houver planejamento e controle adequados”, alerta Paulo Tarso Sanches de Oliveira, um dos autores do estudo, em entrevista à Agência Fapesp.

 

Áreas mais afetadas

O estudo também mapeou quais áreas do país correm mais risco de perderem fluxo de água para a reserva subterrânea.

⚠️Os resultados mostram que a maioria dos “rios perdedores” no país (69%) estão localizados principalmente em áreas áridas ou áreas com uso agrícola intensivo.

No caso da bacia do São Francisco, por exemplo, 61% dos rios analisados têm potencial de perda de fluxo de água. Nessa região, a utilização frequente das águas subterrâneas para a irrigação é o que pode comprometer a disponibilidade de água nos rios.

Já na bacia do rio Verde Grande, um afluente do São Francisco que se estende pelo norte de Minas Gerais e sudoeste da Bahia, a situação é ainda mais preocupante. No local, até 74% dos rios podem ser impactados pela diminuição do fluxo.

“Essas duas bacias são cruciais para a agricultura e geração de energia hidrelétrica no Brasil. O que está acontecendo põe em risco não apenas a sustentabilidade local, mas também a segurança hídrica, alimentar e energética em grande escala”, comenta Oliveira.

 

Os pesquisadores alertam que a perfuração indiscriminada de poços para irrigação agrícola ou consumo privado é um dos fatores de maior impacto nesse cenário. Um estudo brasileiro, publicado em 2021, mostrou que cerca de 88% dos poços no Brasil eram ilegais.

Necessidade de monitoramento

Para tentar evitar que o prejuízo aos rios realmente aconteça, o estudo destaca a necessidade de integrar a gestão de águas superficiais e subterrâneas. Além disso, também é necessário o investimento no monitoramento hidrológico.

“O Brasil tem potencial para ampliar a irrigação de forma sustentável, mas é necessário planejar melhor o uso integrado das águas subterrâneas e superficiais para evitar impactos negativos”, afirma José Gescilam Uchôa, autor principal do estudo.

 

Caso mapeamentos de campo não sejam realizados para orientar políticas públicas, a situação pode piorar muito nos próximos anos.

“O alerta é ainda mais relevante diante das projeções que indicam um aumento superior a 50% nas áreas irrigadas no país nos próximos 20 anos, o que pressionará ainda mais os recursos hídricos superficiais e subterrâneos”, prevê Oliveira.

Fonte: G1

Ponto de Vista

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