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Maioria dos lares brasileiros é chefiada por mulheres, revela pesquisa

Brasília – Joelma Freitas, artesã do Rio Grande do Norte, participa do 9º Salão do Artesanato. (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Nos últimos anos, o Brasil tem tido mais mulheres do que homens como chefes de família, uma virada social e econômica que se consolida após anos de transformação. Uma pesquisa inédita, encomendada pelo Fantástico à Fundação Getúlio Vargas (FGV) com base em dados do IBGE, revela que hoje são mais de 41 milhões de domicílios que têm mulheres como principais provedoras, número que reflete não apenas autonomia, mas também uma série de desafios.

A análise da FGV, conduzida por Janaína Feijó, mostra o retrato atual dessa mulher. De cada cem lares brasileiros, 52 são chefiados por mulheres. A pesquisa aponta que essas mulheres são, em sua maioria, autodeclaradas pretas ou pardas, com ensino médio ou superior incompleto, e a maioria reside nas grandes metrópoles do Sudeste. Muitas já acessaram a universidade, embora nem sempre tenham concluído.

 

A pesquisa também destaca outros fatores para o crescimento do número de mulheres chefes de família: a educação feminina, que aumentou o poder de barganha das mulheres, mudanças econômicas e programas sociais que as colocam como ponto focal.

A queda da taxa de fecundidade também contribui, permitindo que as mulheres dediquem mais tempo ao trabalho e, consequentemente, aumentem sua renda. Um perfil crescente é o de mulheres casadas e sem filhos, cujo número saltou de quase 2 milhões para mais de 6 milhões em 12 anos.

Apesar dos avanços e do espaço conquistado, a realidade para as mulheres chefes de família ainda vem com “muitas responsabilidades” e “muita sobrecarga”. Elas enfrentam maiores taxas de desemprego, ganham menos mesmo na mesma função e estão mais na informalidade do que os homens.

 

Para a pesquisadora Janaína Feijó, é essencial desenvolver políticas públicas estratégicas e eficientes, adaptadas às particularidades de cada localidade do Brasil.

A historiadora Mary Del Priore enfatiza que a educação da mulher brasileira deve ser o maior projeto nacional, pois uma mulher formada e autossuficiente pode construir “o entorno necessário para termos uma sociedade mais saudável”.

Fonte: G1

Ponto de Vista

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