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Justin Trudeau, premiê do Canadá, anuncia renúncia e diz que ficará no cargo até partido encontrar substituto

Justin Trudeau durante pronunciamento em que anunciou renúncia — Foto: AP

O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, anunciou nesta segunda-feira (6) sua renúncia ao cargo e também à liderança do Partido Liberal. Trudeau afirmou também que ficará no poder até que seu partido encontre um substituto para ele.

Trudeau também dissolveu o parlamento, que ficará na atual configuração até 24 de março.

O premiê anunciou a renúncia em pronunciamento no início da tarde desta segunda, dias antes de uma reunião executiva de líderes do Partido Liberal marcada para quarta-feira (8), considerada importante para a continuidade do governo. Trudeau sai de cena em um momento que as pesquisas mostram que seu partido, os liberais, perderão para os conservadores nas próximas eleições legislativas.

“Os canadenses merecem um candidato ‘de verdade’ nas próximas eleições. Ficou óbvio para mim nas batalhas internas que não serei eu quem carregará essa responsabilidade”, afirmou Trudeau.

 

Se Trudeau deixasse o cargo imediatamente, o partido ficaria sem um líder permanente em um momento em que as pesquisas indicam que os Liberais perderiam feio para a oposição conservadora, em uma eleição que deve ocorrer até o final de outubro.

“Sou um lutador. Importo-me profundamente pelos canadenses e por este país, e sempre me motivarei por esse interesse. Apesar disso, o parlamento está paralisado há meses após o maior mandato de minoria deste país”, disse o premiê.

Trudeau, de 53 anos, chegou ao poder em 2015 após 10 anos de governo do Partido Conservador. Inicialmente, recebeu forte apoio, mas se tornou impopular entre os eleitores nos últimos anos devido a uma série de questões, incluindo o aumento vertiginoso dos preços dos alimentos e da habitação, e diante da imigração crescente. (Leia mais sobre as crises do governo Trudeau abaixo)

Com a renúncia, novos apelos devem ocorrer pelo adiantamento das eleições parlamentares do país, marcadas para 20 de outubro, para instituir um governo capaz de lidar com a administração do presidente eleito dos EUA, Donald Trump, pelos próximos quatro anos.

O primeiro-ministro discutiu com o ministro das Finanças, Dominic LeBlanc, se ele estaria disposto a assumir o cargo de líder interino e primeiro-ministro, disse uma fonte ao “The Globe and Mail”, acrescentando que isso seria impraticável se LeBlanc planeja concorrer à liderança.

Crise

A crise envolvendo o mandato de Trudeau começou em dezembro, quando parlamentares pediram a ele que renuncie ao cargo após a vice-premiê e ministra das Finanças, Chrystia Freeland, pedir demissão.

Freeland afirmou que sua renúncia ocorreu por “diferenças” com Trudeau sobre como enfrentar a ameaça de Trump de impor tarifas de 25% aos produtos canadenses. A demissão de Freeland mergulhou o Canadá em uma crise política.

Com isso, o governo de Trudeau entrou em uma de suas maiores crises desde que ele assumiu o poder, em novembro de 2015. Além disso, o primeiro-ministro se expôs a um momento de fragilidade a menos de um ano para as eleições canadenses.

A turbulência política ocorre em um momento difícil para o Canadá no cenário internacional. O presidente eleito dos EUA, Donald Trump, ameaçou impor tarifas de 25% sobre todos os produtos canadenses se o governo não conter o que Trump chama de fluxo de migrantes e drogas para os EUA — embora o fluxo para os EUA seja menor que o do México, a quem Trump também ameaçou.

O Canadá é um grande exportador de petróleo e gás natural para os EUA, que também dependem de seu vizinho do norte para aço, alumínio e automóveis.

Veja os fatores que contribuíram para essa situação:

  • Aumento do custo de vida da população
  • Perda de popularidade: atualmente, pesquisas apontam que o Partido Conservador, de oposição, deve vencer as próximas eleições.
  • Perda de apoio no próprio Partido Liberal
  • Desempenho ruim das contas do governo: para agravar a situação, dados financeiros divulgados em dezembro apontam que as contas do governo fecharam com déficit de US$ 43,4 bilhões (R$ 267 bilhões). O número veio 50% acima do projetado. A previsão de crescimento do PIB também foi reduzida de 1,9% para 1,7%.
  • Ameaça de taxação por parte de Trump: o presidente eleito americano anunciou em dezembro a intenção de impor tarifas de até 25% aos produtos canadenses. O principal parceiro comercial do Canadá são justamente os Estados Unidos, que representam 75% de suas exportações.
  • “Diferenças” na forma de abordar a ameaça trumpista de sobretaxar produtos canadenses levou à saída da ministra das Finanças, Chrystia Freeland.

 

 

 

 

 

 

Fonte: G1RN

Ponto de Vista

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