Jovens negros representam 73% dos óbitos por causas externas no Brasil, de acordo com o 1º Informe epidemiológico sobre a situação de saúde da juventude brasileira: violências e acidentes, uma pesquisa da Fiocruz divulgada nesta segunda-feira (25).
Mortes por causas externas são aquelas que não estão relacionadas a doenças naturais ou processos internos do organismo, mas sim a fatores externos, como violências, acidentes e confrontos armados, entre outras.
O estudo apontou ainda que os homens jovens são os que mais morrem, mas as mulheres jovens são as principais vítimas de agressões no Brasil. Além disso, jovens com deficiência (PCDs) representam um quinto das notificações de violências no Sistema Único de Saúde (SUS).
O levantamento usou as bases de dados do SUS e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2022 e 2023.
O coordenador da Agenda Jovem Fiocruz, André Sobrinho, afirmou ao g1 que é preciso confrontar a forma pela qual a sociedade naturaliza a violência contra a juventude, em especial negra e periférica:
“A idade, a raça e o território precisam ser considerados em qualquer estratégia de enfrentamento da violência e isso diz respeito ao Estado como executor de políticas públicas, mas também as diferentes instituições sociais”, disse Sobrinho.
•Os jovens com deficiência foram 20,5% das notificações de violências no SUS. Na população geral, as vítimas com deficiência representam 17,6% do total.
Os tipos de deficiências mais vitimadas foram relacionados à saúde mental:
Sobrinho acrescenta que há uma naturalização da violência contra a juventude o que também é reflexo da forma como a sociedade enxerga os jovens.
“É uma faixa etária cujas expectativas sociais depositadas falam de vigor, vitalidade, de ser produtivo. Mas, na realidade, vemos os jovens desafiados em trabalhos precários, conciliando jornadas extenuantes, com impactos na sua saúde física e mental. Os jovens PCDs, a depender do tipo de deficiência, sofrem ainda mais, estando mais vulneráveis às situações de violência”, declara.
O levantamento é o primeiro de um ciclo de informes epidemiológicos sobre a situação de saúde das juventudes que pesquisadores da Agenda Jovem Fiocruz (AJF) e da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz) planejam lançar em 2025.
Fonte: G1
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