Categories: Blog

IDEIAS: MAIS LUZ QUE CALOR – Rinaldo Barros

IDEIAS: MAIS LUZ QUE CALOR –

A conversa de hoje corre atrás de uma saída para o “imblóglio” que estamos todos emaranhados. Uma tentativa de encontrar um caminho iluminado para o conjunto de nossa sociedade.

Acredito que é fundamental ver o mundo com olhos de criança, como se o estivesse vendo pela primeira vez. Na verdade, a gente sempre vê o mundo pela primeira vez.  O mundo se renova a cada dia.

O mundo que vi há um segundo, não existe mais. Tudo se transforma permanentemente.

No bojo da crise que nos atormenta, há tudo para que se acelere o crescimento socioeconômico no Brasil, o que já se prenunciava antes: a busca de um conjunto de experimentos na maneira de organizar nossa sociedade que amplie, em proveito dos homens e das mulheres comuns, as oportunidades econômicas e educativas.

É preciso que as crianças, logo que aprendam a ler, aprendam também o prazer de consultar os dicionários. Quantos estudantes consultam hoje os dicionários?

Aliás, aprendi com o filósofo Rubem Alves que, ao retirar a imprecisão da linguagem falada, os dicionários cometem um assassinato. Os dicionários não, os gramáticos. Os gramáticos são os anatomistas da língua. Lidam com um corpo morto.

Quando escrevo, brinco com a alma, tentando tocar a mente e o coração de quem me lê.

E que dê braços, asas e olhos à energia humana, frustrada e dispersa, que fervilha em nosso país.

Propomos construir juntos iniciativas exemplares, que têm tudo para contar com a simpatia e com a participação de muitos cidadãos de boa vontade.

Entre as áreas mais propícias, três merecem atenção especial.

  1. Desenvolver as alternativas de energia renovável. Em vez de ficarmos vidrados nos interesses imediatos que nos dividem, é melhor construir as possibilidades futuras que podem nos unir. Trabalhar juntos para transformar os agro combustíveis nas commodities que ainda não são. E para obter os avanços científicos e técnicos que permitirão mobilizar o potencial energético da biomassa – até que se possa mobilizar melhor o potencial das energias solar e eólica, diretamente.
  2. Soerguer milhões de empreendimentos emergentes e pôr as finanças a serviço da produção (e não do consumo e do crédito). A crise financeira de agora impõe-nos tarefa mais importante do que a de regular os mercados financeiros: a de aproveitar melhor, mais objetivamente, o potencial produtivo do dinheiro reunido nos bancos e nas Bolsas para estimular empresas que produzem bens e serviços, gerando bons empregos.

O cumprimento dessa tarefa começa no esforço de dar às pequenas e médias empresas condições para ganhar acesso ao capital e para qualificar-se em tecnologias, conhecimentos e boas práticas.

  1. Tomar as medidas necessárias para garantir, em todo o ensino público, um padrão mínimo e universal de qualidade. O avanço de nossas sociedades passa pela efetivação de um princípio singelo: cuidar para que a qualidade da educação que uma criança recebe não dependa do acaso ou do lugar onde ela haja nascido.

Duas iniciativas podem abrir o caminho:

A primeira é desenhar uma escola média que reúna e que renove o ensino geral e o ensino técnico, com fronteira aberta entre os dois. Ensino geral focado em análise verbal e numérica, não em informação enciclopédica. Ensino técnico dedicado a capacitações práticas flexíveis, não ao domínio de ofícios rígidos.

A segunda iniciativa é providenciar a gestão local das escolas pelos Estados e municípios com padrões nacionais de investimento e de qualidade. Não basta avaliar nacionalmente as escolas e redistribuir recursos de lugares mais ricos para lugares mais pobres. É preciso também recuperar redes de escolas locais que tenham caído abaixo do patamar mínimo aceitável de qualidade.

Parte da solução é associar os três níveis da Federação em órgãos conjuntos, vocacionados para apoiar, socorrer e reparar as escolas ineficientes. É o rumo da federalização de todas as escolas brasileiras, associada a uma Lei de Responsabilidade Educacional. “É o caminho, a verdade e a vida”.

O que unifica e orienta todas essas propostas é a disposição de reorganizar a economia de mercado em proveito da maioria trabalhadora. Hora de reconstruí-la, não apenas de contrabalançar suas desigualdades por meio de transferências sociais. Chega de bolsas e cotas!

Alvissareiramente, longe do falso conflito entre “nós” e “eles” pregado pelo PT; há no Brasil um grande, muito grande, conjunto de pessoas (do bem) dispostas a se mobilizarem em torno de ideias generosas.

A hora é essa. É a hora das ideias – mais luz que calor – para que o patropi encontre rumo outra vez.

Rinaldo Barros é professor – rb@opiniaopolitica.com

As opiniões emitidas são de responsabilidade dos colaboradores
Ponto de Vista

Recent Posts

COTAÇÕES DO DIA

DÓLAR COMERCIAL: R$ 5,1780 DÓLAR TURISMO: R$ 5,3850 EURO: R$ 5,8920 LIBRA: R$ 6,8570 PESO…

23 horas ago

Veja as seleções classificadas e eliminadas da Copa do Mundo até agora

Com o encerramento de mais uma rodada da fase de grupos, seis seleções já garantiram…

24 horas ago

Imposto de Renda: Receita abre consulta ao 2º lote de restituição; 101 mil contribuintes do RN devem receber R$ 193 milhões

A Receita Federal abriu nesta terça-feira (23) a consulta ao segundo lote de restituição do Imposto de…

24 horas ago

Comissão vai avaliar canetas de semaglutida no SUS para o tratamento da obesidade; empresa pede metade do valor

O SUS pode passar a oferecer canetas de semaglutida para o tratamento da obesidade. A Novo…

1 dia ago

Empresário é preso em operação contra lavagem de dinheiro no RN; Justiça bloqueia R$ 72 milhões de contas

Um empresário do ramo de postos de combustíveis foi preso nesta terça-feira (23) em uma…

1 dia ago

Tropas israelenses matam 2 pessoas no sul Líbano, diz mídia estatal; Hezbollah acusa Israel de violar cessar-fogo

Disparos de tropas israelenses mataram duas pessoas no sul do Líbano nesta terça-feira (23), informaram a Defesa…

1 dia ago

This website uses cookies.