I CAN’T BREATH –
Não consigo respirar! Eis a expressão mais ouvida ao redor do mundo, ultimamente. Foi proferida em inglês por um homem de 46 anos de idade, afro-americano, natural de Houston (Texas), pai, cristão, atleta poliesportivo trabalhando como segurança, nas opiniões do empregador e de amigos, uma pessoa de paz.
George Floyd é o seu nome. Ele morreu em Minneapolis, em 25 de maio de 2020, quando o policial branco Derek Chauvin ajoelhado sobre o seu pescoço, sob o olhar dos colegas de farda e de transeuntes, o manteve imobilizado por 8m46s, asfixiando-o.
I can’t breath foram as suas últimas palavras transformadas em lema, nos últimos 16 dias de manifestações, em diferentes regiões dos Estados Unidos e pelo mundo afora contrárias ao racismo e a prática de abordagens policiais violentas em confrontos com negros. Toda essa movimentação devido a cultura secular de discriminação racial encruada na índole do povo daquele país e de outras nações.
Na autópsia de George Floyd soube-se que ele desenvolvera o vírus da Covid-19. Impossível precisar se ele morreria em decorrência da doença. Por ironia do destino, faleceu por falta de ar e experimentando os mesmos sintomas dos vitimados pelo vírus letal: a ausência de oxigênio causadora da noção de se afogar no seco.
A verdade é que o movimento pela igualdade racial extrapolou as fronteiras dos EEUU e eclodiu em outros continentes sob a bandeira de movimentos tipo Vidas Negras Importam. O antirracismo é uma realidade e o represamento desse sentimento nunca esteve tão escancarado como nos últimos dias.
Não desejemos assistir à irrupção dessa represa de ressentimentos e ódios acumulados por gerações de excluídos. Num ato simbólico a estátua de Edward Colston foi facilmente derrubada de seu pedestal numa praça de Bristol, na Inglaterra. Fora erguida em 1895 como reconhecimento a benefícios prestados à cidade com recursos oriundos do tráfico de negros trazidos da África Ocidental, pelo escravagista.
Pouco se deu valor a atitude corajosa de quem ateou fogo a esse estopim de revolta no seio das comunidades discriminadas pela cor da pele, na América do Norte. O que sentiu Darnella Frazier, o que ainda sente, como está a sua saúde, a sua segurança e o seu emocional ninguém tem conhecimento ou faz ideia.
A adolescente de 17 anos viu tudo, ao vivo, durante os 30 minutos do desenrolar da ação. Viu quando Derek Chauvin colocou o joelho sobre o pescoço da vítima, viu George afirmar que não mais conseguia respirar e, viu o seu desfalecimento ante a pressão do peso do corpo do agressor fardado.
Darnella já prestou depoimento ao FBI como principal testemunha da morte de Floyd. Está sob acompanhamento de terapeuta especializada em trauma e sofre perseguição da mídia e de outros internautas em suas redes sociais por ter levado o vídeo a público, segundo alguns, com o fito de obter exposição.
Porém, ninguém considerou o risco que ela correu na hipótese de ser descoberta pelos policiais envolvidos no caso durante a gravação. Ninguém avaliou a dor sentida pela jovem ao ver alguém brutalizado com desumanidade. Ninguém imaginou o grau de tristeza que sentiu ao ver George, desfalecido, transferido para a ambulância não sabendo se ainda vivo ou morto. Ninguém, sequer, se importou de perguntar a Darnella quais as suas emoções ou sentimentos ante as cenas presenciadas.
Darnella Frazier não merece tanta atenção, ela é apenas uma mulher negra.
José Narcelio Marques Sousa – Engenheiro e Escritor
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