Jaécio Carlos
Tá certo que a saúde esteja doente, há muito tempo, mas o que se vê nos hospitais é pior do que a pior das doenças. Lembro-me que Fernando Henrique Cardoso, quando presidente do Brasil, chamou o renomado médico Dr. Adib Jatene para estar Ministro da saúde e prometeu a ele que os recursos advindos da CPMF seriam destinados ao seu ministério. Mas, em e tratando de promessas de político, que não há credibilidade, com FHC não foi diferente. Os recursos não foram para o ministério e Adib Jatene pediu o boné.
Há mais de um ano eu frequento o Hospital Universitário Onofre Lopes, pois estou em tratamento oftalmológico e tenho sofrido com as filas intermináveis e o péssimo atendimento de funcionários e até mesmo de médicos, que são estudantes, em sua maioria.
O funcionamento do HUOL é “apenas” das 7h às 17h. Se fosse 24 horas/dia, resolveria, em parte, o problema crucial das filas, eperas, desconforto e mal atendimento, creio eu. Mas ai vem a desculpa de que os gastos seriam dispendiosos e não há dinheiro pra isso. O que desviaram da Petrobras daria para ajudar nessas despesas, se é que se pode chamar isso de “despesa”. Seria muito interessante que o governador, o prefeito, vereadores e parlamentares, fizessem uma visita aos hospitais para sentir de perto que a carência é grande, mas isso é quase impossível, mesmo porque, quando algum familiar desses gestores públcos precisam de atendimento médico, vão a São Paulo ou para ao exterior, se cuidar. E nosso povinho que se lixe.
Estou falando de um problema, mas são muitos, desde falta de medicamentos e de material hospitalar, até desrespeito ao ser humano que vive à míngua e desassistido.
Em torno de setenta por cento das pessoas que eu encontrei no HUOL vem do interior, onde as cidades principais como Caicó e Mossoró não tem hospitais adequados e suficientes para atender ao píblico das regiões vizinhas.
E os médicos de família que são contratados pelas Prefeituras? Em algumas cidades eles trabalham do mesmo jeito que os médicos cubanos do Projeto Mais Médicos, ou seja, recebem uma parte do salário acertado e o resto fica com quem? Com esses salários baixos a presença deles é quase nenhuma, forçando as pessoas virem para a capital. O que é isso? Falta de gestão.
Tem jeito? Acho que sim, se começarmos agora a mudança tão esperada e muito propalada.
Boto fé.
Jaécio Carlos – Editor da Informática em Revista
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