Hitler e a grandeza histórica

    Adauto Medeiros       

            Não sou e nunca fui adepto do nazismo, aviso logo. Mas encontrei esse texto que resolvi, agradecendo o espaço gentilmente cedido pelo nosso querido Nelson Freire, aqui nesse Blog elegante, informativo, opinativo, reproduzir na integra. Acho que vale a pena lê-lo. Trata-se de um texto escrito por Leopold Ranke sobre a personalidade de Adolf Hitler. Ranke não é defensor de Hitler, mas construiu um texto que rompe com os tão comuns e corriqueiros, tratando-o fundador do nazismo na linha de um anticristo.

            O texto de Ranke busca uma outra imagem. Talvez menos bombástica, mas talvez mais próximo do real. Bom, deixo a vocês a leitura e sua interpretação.  

            “Não é cegueira ou ignorância o que leva a ruina os homens e os Estados. Não demora muito que descubram até onde levará o caminho escolhido. Mas há neles um impulso, que sua natureza favorece e o hábito reforça, ao qual não podem resistir, e que continua a impeli-los enquanto lhes resta a mínima energia. Aquele que consegue dominar-se é um ser superior. A maioria vê diante dos olhos a ruína, e avança em sua direção.

            A história conhecida não registra outro fenômeno que lhe assemelhe: devemos qualificá-lo de grande? Ninguém suscitou tamanho entusiasmo e histeria, e tão grandes esperanças de salvação. Ninguém despertou tanto ódio. Nenhum outro, num percurso solitário que durou apenas poucos anos, acelerou o curso do tempo e modificou as condições do mundo, de maneira por assim dizer, inacreditável como ele o fez; ninguém deixou atrás de si tanto rastro de ruínas. Só a coalisão de quase todas as potencias mundiais, numa guerra que durou quase seis anos, extinguiu o da face da terra: nas palavras de um oficial da resistência alemã, abateu-o como a “um cão raivoso”.

            A grandeza particular de Hitler está essencialmente ligada a este caráter excessivo: uma enorme irrupção de energia a derrubar todos os critérios em vigor. É certo que o gigantesco não corresponde, necessariamente, a uma grandeza histórica, e que também o trivial tem a sua força. Mas ele não foi apenas gigantesco, ou apenas trivial. A irrupção que desencadeou acusava quase em cada etapa, até as semanas da guerra, sua vontade diretiva.

            Em inúmeros discursos lembrou, em tom admirativo o inicio de sua carreira, quando nada tinha atrás de si, nada, nenhum nome, ou poder, ou imprensa, nada mesmo, absolutamente nada”.

            Trata-se de um pequeno trecho que me parece revela o lado indômito da personalidade de Hitler. Excessivo como disse Ranke. Mas verdadeiro, ou muito próximo do verdadeiro.

Adauto Medeiros, engenheiro civil e empresário dautomedeiros@bol.com.br

Ponto de Vista

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