HISTÓRIAS DE PASSARINHO – 

Somente usam asas os anjos, os pássaros e o amor. Anjos celebram o mundo espiritual; pássaros, o mundo físico, voam e voltam sempre ao seu lugar predileto. O amor voa normalmente. Mas quando se vai não volta nunca mais. Alguns pássaros não voam: os pinguins apenas vestem-se elegantemente e caminham com graça.

Os pássaros são mensageiros de Deus. O Espírito Santo é Deus vivo voando, uma pomba branca.

Quem vê a beleza lírica da plumagem e do canto dos passarinhos não imagina que eles são répteis. Tiveram ancestrais comuns com as tartarugas e os jacarés. Esses antepassados eram enormes. Alguns chegaram a medir dez metros de envergadura. O Brasil teve alguns deles, menores. Tinham dentes e eram predadores vorazes.

Tudo aconteceu há milhões de anos quando os seres humanos não existiam. Certamente, morreriam de medo. O genial Alfred Hitchcock fez filme de suspense com pássaros ameaçadores. O roteiro estabelece as aves assombrando uma cidade, o terror na região chamada, para nós, com o curioso nome de “Bodega Bay”.

Geraldo Melo, governador, senador, provou também ser um excelente romancista nordestino. No romance “Luzes e Sombras no Casarão”, colocou um personagem matador profissional. A ironia é que se chamava “Passarinho”.

Ornitólogos e curiosos amam observar os hábitos e singularidades causadores de emoções. Gostaria de fazer um estudo sobre a sociologia dos passarinhos. Conto apenas um pouquinho sobre a alimentação. Todos os dias coloco painço, alpiste e água em frente à casa. Alimentam rolinhas, galos-de-campina, pegas, canários, entre tantos. No quintal, frutas variadas para os bem-te-vis, sabiás, outros. Os sabidos canários comem nos dois lados.

Correm muitas histórias engraçadas sobre as relações do homem com esses bichinhos. Eis uma delas: Um rapaz pede emprego ao dono de um circo. O que o senhor sabe fazer de especial? Entre outras habilidades, eu imito passarinho. Não me interessa, há muitos imitadores de pássaros e o público não está interessado neles. Penso que o senhor deveria repensar sobre a minha presença no seu circo porque faço um trabalho singular. Não estou interessado, foi a resposta. Então adeus, disse o moço e saiu voando…

Todas as culturas criam lendas e mitos sobre passarinhos. Entre os tupis, um deles amava uma índia que já tinha companheiro. Tupã não gostou e fez dele um Uirapuru. Na floresta ele canta para encantar a amada.

Uma curiosidade. Claude Levi-Strauss anotou a história de “O Pássaro de Fogo” entre os índios brasileiros. Uma lenda russa registra o pássaro de fogo que motivou a conhecida música de Stravinsky.

Como se vê, passarinho tem história.

 

 

 

 

 

Diogenes da Cunha Lima – Advogado, Poeta e Presidente da Academia de Letras do RN

As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores
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