José Maria Barreto de Figueiredo

No feriado do dia de São Pedro, revendo o baú da saudade, perpassando meus seis anos, encontro uma foto pitoresca, onde dona Candinha, minha saudosa mãe, sempre mandava fazer imagens dos lambe-lambe da calçada do velho mercado da cidade, como lembrança daqueles sofredores, aos quais costumava sempre ajudar.

Aprofundando-me no túnel do tempo, visualizei o velho Ginásio Natal do professor Severino: vislumbrei o jornal do prefeito Djalma Maranhão, onde ele criou a trincheira da legalidade; revi a construção do edifício do senhor Miguel Carrilho, em toda sua imponência, sendo erguido sem perturbação de fiscais do meio ambiente que hoje emperram o desenvolvimento da nossa cidade.

Maravilhas do passado que a visão temporânea, como numa mágica, as tornava presentes.

Eis que de repente aquela figura magra mas esguia, surge a minha frente, levantando-se sobre lajes estreitas, formatando um dos primeiros edifícios da cidade: o antigo Armazém Natal. Tempos depois ele dava lugar ao luxuoso edifício Barão dório Branco.

Eu gostava de ficar olhando aquelas construções e o crescimento da minha cidade.

José Chaves, filho de dona Britalda e genro de “seu” Raimundo Chaves (meu pai, “seu” Oswaldo, o chamava menino de ouro) naquela época fazia dupla com Jéner Andrade, filho de “seu” Julio Cézar.

Os dois revolucionaram a jovem guarda da época com a goma de marcar ping-pong, fazendo concorrência com chiclete Adams que  era representado por Hermes Xavier.

Fui crescendo em meu sonho e também isso ocorria na realidade.

Um dia chegava José Chaves no Armazém de meu pai, neste período bem instalado na Ribeira. Oswaldo, disse ele, o teu filho ingressou na Faculdade, está na hora dele receber um presente.

Não sei se ”seu” José estava testando a bondade do meu pai. Mas a proposta deu certo pois foi aí que recebi de presente a sala 210, no segundo andar do edifício Barão do Rio Branco. Neste local, mais tarde, uma vez graduado, coloquei o meu primeiro escritório de Contabilidade.

Tudo que nesta página contei foi uma realidade que vi, passei e vivi de verdade, e a revivi neste sonho miraculoso.

De repente, voltei à realidade. Ao despertar e muito emocionado, com os olhos lacrimejantes, agradeci ao grande Arquiteto do Universo a oportunidade de  rever um pouco da cidade onde nasci, cresci e hoje vivo, na sua Graça. A Ele dirijo minha prece, como se aquele menino fosse ainda:  Senhor, ouve meu apelo, cuida de mim e de todos aqueles que a mim determinaste cuidar.

José Maria Barreto de Figueiredo – Economista e Chanceler da UNIFACEX

 

Ponto de Vista

Recent Posts

COTAÇÕES DO DIA

  DÓLAR COMERCIAL: R$ 5,0200 DÓLAR TURISMO: R$ 5,2130 EURO: R$ 5,6230 LIBRA: R$ 6,6610…

16 horas ago

Denúncias de propaganda eleitoral irregular crescem 90% no RN, aponta TSE

O Rio Grande do Norte registrou 1.107 denúncias de propaganda eleitoral irregular no primeiro turno…

16 horas ago

Netinho, um dos principais cantores do axé music, morre aos 60 anos

Netinho, um dos principais cantores do axé music, morreu nesta terça-feira (13), aos 60 anos,…

17 horas ago

Pais são presos após bebê de 2 meses cair no chão sob cuidados do pai embriagado no RN

Os pais de um bebê de 2 meses foram presos nesse domingo (11) após o…

17 horas ago

Musk gastou US$ 276 milhões desde julho para ajudar partido de Trump nas eleições de meio de mandato nos EUA

O empresário Elon Musk gastou cerca de US$ 366 milhões (R$ 1,8 bilhão) para apoiar…

18 horas ago

Ator RJ Mitte, de ‘Breaking Bad’, morre aos 34 anos

O ator RJ Mitte, que ficou conhecido por interpretar Walter White Jr. na série "Breaking…

18 horas ago

This website uses cookies.