“Não me iludo, mas não sou pessimista. Nem me entrego. Mas, perto dos 85, sei que o meu futuro é incerto, mas sabido. Por isso mesmo, tenho me dado à certas extravagâncias. Comprei uma Smart TV Samsung, curva, 55″. Libertei-me das tvs abertas e fechadas! Agora, escolho o que quero, até navegar na internet. Mas o que gosto mesmo é do YouTube, onde você tem o mundo! Agora mesmo, com a minha dose de Old Parr antes do almoço, assisto uma orquestra da Dinamarca tocando Peer Gynt! E, depois, seja o que eu quiser”.

Publiquei o texto acima no Facebook, há uns dois ou três dias atrás, e a reação dos amigos me surpreendeu. Até agora, quase cem pessoas o comentaram e curtiram. Por isso, resolvi fazer uma análise, para entender o “por que” dessa reação. E, desde logo, peço que me perdoem a falta de modéstia.

Lembrei-me dos dois professores do Atheneu que conseguiram me fazer aprender alguma coisa de Português – Antonio Fagundes e Edgar Barbosa. O primeiro, me ensinou o que ainda sei de gramática; o segundo, tentou me ensinar a escrever com certo estilo. Com a lembrança deles, faço esta análise.

Do ponto de visa gramatical, não há muito a dizer. Lembro-me que uma das nossas lições era o exame da sintaxe, aonde procurávamos oração principal, oração subordinada, objeto direto, objeto indireto, sujeito da oração, concordância, verbo, tempo do verbo, adjetivos, advérbios, preposições, conjunções, e por aí. No caso em estudo, não me preocupei com isso, pois é um texto curto e não tem muito a examinar.

Já no estilo, há um pouco mais a dizer. Primeiro, e como eu gosto, é enxuto; ou seja, sucinto, não prolixo, objetivo. Além de Edgar Barbosa, que era exigente nesse aspecto, segui, e procuro sempre seguir, o conselho de Winston Churchill, político, mas também um dos maiores escritores do século passado. Ao escrever, dizia ele, use “das palavras, as mais simples; das frases, as mais curtas”. Acho que a frase “mas, perto dos 85, sei que o futuro é incerto, mas sabido”, demonstra bem o que quero dizer. Depois, transmita o que sente de forma clara e direta, sem adjetivos ou advérbios, sem “enchimento de lingüiça”.

Tenho sempre presente esse conselho, quando escrevo. Com sucesso, às vezes. Muitas vezes, me saio mal nessa intenção. Mas persisto nela. Até porque sempre me lembro de que não tenho paciência de ler textos muito longos, por melhor que sejam. Paro no meio do caminho. Procuro fazer com que os meus não cheguem a quinhentas palavras; e esses são os longos.

Dalton Mello de Andrade – Ex- Secretario de Educação do RN e Pro Reitor da UFRN

Ponto de Vista

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