De acordo com a fundação, Steinem, que por mais de cinco décadas lutou pelos direitos reprodutivos e por mais participação das mulheres na política, além de fundar publicações e diferentes organizações, morreu em sua casa na quarta-feira (2). A causa da morte não foi divulgada.
“Ontem, Gloria Steinem faleceu pacificamente em sua casa na cidade de Nova York, cercada por algumas das muitas pessoas que a amavam. O quase um século de vida de Gloria foi bem vivido, e ela continuou trabalhando pela igualdade até o fim”, anunciou a fundação Gloria Steinem.
Fundadora da “Ms.”, revista que existe desde a década de 1970, escrita por mulheres e dedicada à cobertura de notícias ligadas ao feminismo, Steinem foi uma das vozes mais ativas e conhecidas do movimento feminista dos Estados Unidos.
Ela emergiu como um nome forte do movimento na segunda onda do feminismo nos EUA, no fim da década de 1960. Desde então, lutou por mais direitos para mulheres e pela inclusão de mulheres na vida política dos Estados Unidos e do mundo.
Anos depois, Steinem revelou que ingressou no ativismo após ter diversas reportagens sobre o feminismo negadas em publicações por onde trabalhou no início da carreira jornalística. Steinem afirmou que teria se limitado apenas à escrita se os editores da época estivessem dispostos a deixá-la escrever sobre o movimento feminista.
Mas eles não estavam interessados. “Então, acabei saindo para falar em público, o que era o meu pesadelo”, afirmou ela em entrevista à agência de notícias Asssociated Press em 2015.
Ainda assim, Steinem fez trabalhos marcantes no jornalismo e ganhou prêmios. Um deles foi uma reportagem de 1963 sobre as condições degradantes no império da revista “Playboy”, de Hugh Hefner. Para o trabalho, se disfarçou de “coelhinha da Playboy” durante 11 dias.
Em 1968, escreveu um artigo intitulado “Depois do ‘Black Power’, a Libertação das Mulheres”, na revista “New York Magazine”, que também ajudou a fundar. O texto a consolidou como líder feminista em um período de intensas transformações sociais. Logo depois, foi capa da revista “Newsweek”, que a batizou de “A Nova Mulher”.
No ativismo, ela mergulhou na luta política. Steinem encabeçou diversas manifestações que forçaram o Congresso norte-americano a aumentar os direitos para as mulheres. Ela fundou o Caucus Político Nacional para Mulheres em 1971, juntamente com as ex-deputadas americanas Bella Abzug e Shirley Chisholm e a escritora Betty Friedan — cujo livro, “A Mística Feminina”, de 1963, inaugurou a segunda onda do feminismo.
Também criou organizações como a Coalizão de Mulheres Sindicalistas, o Centro de Mídia de Mulheres, a Eleitores pela Escolha e a Fundação Ms. para as Mulheres. Em 2013, o então presidente Barack Obama concedeu a Steinem a Medalha Presidencial da Liberdade, a mais alta honraria civil dos EUA.
Steinem nasceu em 25 de março de 1934, em Toledo, Ohio, a mais nova de duas filhas. Seu pai era um negociante de antiguidades itinerante. Como a família se mudava com frequência, ela não frequentou a escola regularmente até por volta do sétimo ano.
Ela decidiu não ter filhos e casou-se aos 66 anos com o empresário e ambientalista sul-africano David Bale, pai do ator Christian Bale. David Bale morreu em 2003.
Mas o grande marco que a fez mergulhar no ativismo feminista, segundo a própria Steinem revelou mais tarde, foi a luta pelo direito ao aborto nos EUA. Ela própria havia passado por um aborto secreto aos 22 anos.
Fonte: G1
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