É ainda maior o número de brasileiros que defende que a alfabetização seja uma pauta priorizada pelos governadores nos próximos quatro anos: 8 em cada 10.
“Quando oito em cada dez pessoas dizem que a alfabetização deve ser uma prioridade dos candidatos nas próximas eleições, fica evidente que a população reconhece a importância dessa etapa. A alfabetização é fundamental para todas as aprendizagens futuras e para que as crianças se desenvolvam plenamente ao longo de sua trajetória escolar. Os candidatos eleitos precisam priorizar a alfabetização na elaboração e na implementação de seus planos de governo”, avalia Felipe Proto, vice-presidente de Educação da Fundação Lemann.
A pesquisa também mostra que a valorização dos professores por meio de melhoria na remuneração e melhores condições de formação são as principais prioridades consideradas pelos entrevistados.
Investimentos em alfabetização e no ensino técnico também são amplamente considerados pela população.
O levantamento conclui que a população consegue identificar fragilidades no cenário educacional e reconhece a necessidade de investimentos mais direcionados, e que considera estes pontos ao ponderar as opções de governantes para os próximos anos.
Abaixo, veja os principais destaques do levantamento:
Patricia Mota Guedes, superintendente do Itaú Social/Fundação Itaú, avalia que os dados deixam um sinal evidente sobre o que a sociedade espera para o ensino no Brasil.
Mas a população também enxerga os desafios dessas pautas:
A educação em tempo integral é uma pauta que ganhou popularidade nos últimos anos, mas as informações acerca da política não alcança a população de maneira homogênea. O levantamento revela que a percepção sobre este ponto varia conforme a classe social e o nível de informação sobre a política:
O cenário impacta na adesão do modelo:
O interesse em aderir à política (ao matricular um filho em escola do modelo) também varia de acordo com a classe social. Pessoas de classe C, D ou E demonstram mais interesse em registrar um filho em uma escola de tempo integral do que aquelas da classe A ou B.
Também são essas as classes as que avaliam a política de maneira mais positiva (51%, 49% e 49% respectivamente), se comparadas com as classes A/B (37%).
No geral, os brasileiros avaliam que o modelo traz benefícios de curto e longo prazo. A redução do tempo de tela e da exposição à criminalidade estão entre as principais razões citadas. Além disso, mais da metade da população acredita que o modelo prepara melhor os jovens tanto para o Ensino Superior (57%) quanto para o mercado de trabalho (55%).
Outro benefício é a percepção de garantia da segurança familiar. 54% da população considera que o ensino integral permite que os responsáveis trabalhem com mais tranquilidade.
Segundo Lia Rolnik, diretora-executiva interina do Instituto Sonho Grande, uma possível leitura do maior interesse das classes C, D e E é que as famílias de menor renda percebam com mais clareza o valor da escola integral como espaço de aprendizagem, proteção e acesso a oportunidades que muitas vezes não estão disponíveis fora dela.
Ela avalia que os dados educacionais mais recentes reforçam a ideia de que o formato faz a diferença para famílias de menor nível socioeconômico.
“Isso reforça que uma jornada integral bem implementada pode fazer ainda mais diferença para quem parte de condições mais desiguais. Não é apenas mais tempo na escola, mas a possibilidade de transformar esse tempo em mais aprendizagem, desenvolvimento e perspectivas de futuro”, diz.
O levantamento “O que a população pensa sobre a educação 2026” é uma pesquisa nacional realizada pelo Instituto IDEIA e encomendada pela Fundação Itaú, Fundação Lemann, Instituto Natura, Instituto Sonho Grande, Instituto Unibanco e Todos pela Educação.
Foram ouvidos 20 mil brasileiros a partir de 16 anos, nas 27 unidades da Federação, entre maio e julho de 2026, e o nível de confiança foi de 95% para cada uma das 27 amostras coletadas.
A pesquisa conclui que “a população reconhece a importância da educação e espera prioridade para o tema na agenda dos próximos governos. Na educação, os bons resultados são percebidos pela população e podem fazer diferença na hora do voto.”
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