GERALDO NA ACADEMIA – 

Geraldo Melo, ex-governador, ex-senador, é o mais novo integrante da Academia-Norte-Riograndense de Letras.

As Academias não são somente de quem escreve, mas de quem faz história. Tem razão o autor que isso reconheceu pela primeira vez. Hoje, sempre repetida pelo acadêmico Lívio Oliveira.

Foi justa e merecida a homenagem que lhe prestaram os nossos acadêmicos. Geraldo fez história no Estado, no Brasil e até no exterior. Ele representou o Brasil e o Parlamento brasileiro na Conferência dos Presidentes do Senado do mundo (2002) em Paris e Roma. Destinado, fez o discurso de abertura do conclave.

Geraldo Melo iniciou o planejamento governamental no Rio Grande do Norte, trouxe para nós rádio e tevê. E foi industrial que enalteceu Ceará Mirim.

O governo federal deu calote às indústrias de álcool e açúcar, levando as empresas a dificuldades insuperadas. Muitos anos depois, o governo tenta reparar o erro. O sempre deputado Henrique Alves anunciou que o ressarcimento do empresário prejudicado está previsto no próximo orçamento da República.

O novo imortal não foi eleito acadêmico por fazer história, mas por mérito literário. Fez jornalismo inteligente e é um mestre da arte oratória. Os seus discursos são memoráveis peças literárias.

O romancista de “Luzes e Sombras do Casarão” fez obra-prima da ficção regional. É natural colocá-lo entre os grandes ficcionistas do Nordeste. Os escritores Ivan Maciel e Vicente Serejo receberam e anunciaram a beleza de sua prosa poética. Tive o privilégio de escrever o prefácio.

A quem lhe perguntava se seria candidato à Academia, respondia com bom humor: “você sabe que eu não tenho uma gripe. Como assim poderia recusar o oferecimento da imortalidade?”.

A sua posse foi marcada pelo discurso lido pelo seu irmão, também excelente escritor, Antônio Melo. Do seu pensar, “Somos imortais na medida em que deixamos registradas, por escrito, nossas ideias e sua rica pluralidade de visões e percepções do mundo. Nossa eternidade está bem guardada na fraternidade desse belo destino comum que é a magia de sermos iguais.”

O novo acadêmico retrata a sua infância vivida em Campo Grande, velho sertão. Em verdade, situa-se em tempo anterior à internet, uma fazenda de gado. Registra costumes, realça valores sertanejos. Usa a bela e expressiva linguagem do povo, enfim, expõe o glamour do povo interiorano.

Os personagens cumprem valores locais. A coragem, a lealdade, o respeito à hierarquia, a usança de tradição, a repetição de gestos herdados. O comportamento é ditado por um verdadeiro código de honra, que protege e conduz a vida diária. São retratados heróis, o super-herói que ouve até o silêncio, Tonho do Umbuzeiro e alguns anti-heróis. O pior destes, Tubiba, recebe o castigo merecido. Passarinho, o matador profissional, tem a virtude de bem trabalhar nas lides do campo.

 

 

 

 

 

 

Diogenes da Cunha Lima – Advogado, Poeta e Presidente da Academia de Letras do RN

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