FISIOTERAPIA NA PREVENÇÃO DOS EFEITOS DA INATIVIDADE FÍSICA –
Há alguns anos os pacientes com câncer, debilitados pela doença, eram orientados a manter repouso absoluto, pois acreditava-se que qualquer atividade ou esforço pudesse agravar o quadro clínico. Mas estudos científicos têm mostrado que o repouso excessivo compromete o condicionamento físico e o bem estar dos pacientes, que podem entrar num ciclo: inatividade – redução da capacidade funcional – descondicionamento – inatividade.
O fisioterapeuta é um profissional que deve integrar a equipe multiprofissional, que trata e cuida de crianças e adolescentes com câncer, pois os sintomas e o tratamento com seus efeitos indesejados podem promover o repouso prolongado, o que reduz as atividades de vida diária dos pacientes. As consequências da inatividade podem ser prevenidas com a intervenção fisioterapêutica, melhorando não só o desempenho físico, como também o emocional e, consequentemente, a qualidade de vida.
O paciente que fica muito tempo deitado, restrito ao leito, sente fraqueza com os pequenos esforços, como por exemplo, levantar para ir ao banheiro, tem redução da amplitude de movimento articular, diminuição de força muscular, atraso no desenvolvimento motor e diminuição da densidade mineral óssea. Dependendo do diagnóstico e quadro clínico, é necessária a restrição e em algumas situações, até o isolamento, como nos casos de pacientes submetidos ao transplante de medula óssea. A fisioterapia deve iniciar o mais precocemente possível, para prevenir e tratar esses fatores.
No setor de fisioterapia da Casa Durval Paiva o tratamento de reabilitação inicia logo após o diagnóstico. Após avaliação, são realizados exercícios de alongamento, fortalecimento muscular e exercícios aeróbicos (caminhada, dança, subir e descer escadas). Brincadeiras e jogos com outros pacientes também são realizados. O paciente também é orientado a fazer alguns exercícios em casa com a supervisão dos pais. No período de internação, deve ficar sentado sempre que possível e fazer exercícios em pé, se possível. Caminhadas curtas também devem ser estimuladas.
Em alguns casos, a restrição no leito é desnecessária. Os pais devem ser orientados, de forma clara, sobre o cuidado e a proteção excessiva. Enquanto a criança e o adolescente devem ser estimulados a ser o mais ativo possível.
Cinthia Moreno – Fisioterapeuta – Casa Durval Paiva – CREFITO 83476-F
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