FISIOTERAPIA E TRANSPLANTE DE MEDULA ÓSSEA –
Alguns tipos de câncer, como leucemias e linfomas, podem ser tratados com Transplante de Medula Óssea (TMO), um procedimento onde é feita a substituição de uma medula óssea doente por outra com células sadias. O TMO é um termo genérico, que vem sendo substituído por Transplante de Células Progenitoras Hematopoiéticas (TCPH), já que atualmente o transplante pode ser realizado além da medula óssea, com sangue periférico ou pelo cordão umbilical.
A medula óssea fica localizada no interior de alguns ossos e é responsável pela produção das células sanguíneas: as hemácias (glóbulos vermelhos), que transportam o oxigênio e o gás carbônico, os leucócitos (glóbulos brancos), responsáveis pela defesa do nosso organismo, e as plaquetas, que fazem parte do sistema de coagulação do sangue.
O TMO é realizado como se fosse uma transfusão de sangue. A nova medula tem células chamadas de progenitoras, que podem ser obtidas do próprio paciente (transplante autogênico) ou de um doador compatível que pode, ou não, ser da família (transplante alogênico). Essas células se alojam na medula óssea e desenvolvem células sadias.
Mas, até que isso aconteça, ou seja, que a medula produza hemácias, leucócitos e plaquetas, é necessário que o paciente fique internado, em isolamento, para evitar infecções e qualquer complicação. O isolamento protetor restringe as atividades físicas, inclusive com diminuição das atividades de vida diária (AVD), e isso pode levar a queixas de fadiga (cansaço) e fraqueza, que, por sua vez, pode fazer com que o paciente fique mais tempo de repouso, ficando ainda mais inativo, por isso, é importante que no período pré-transplante o paciente seja avaliado por um fisioterapeuta.
Através de exercícios respiratórios, para melhora do desempenho cardiopulmonar, são também objetivos da fisioterapia reduzir ou prevenir a atrofia muscular de desuso, manter a coordenação motora, o equilíbrio, a força muscular e a mobilidade das articulações. É importante incentivar o paciente a sair frequentemente do leito, procurando realizar exercícios em pé, como exercícios de alongamento e fortalecimento muscular.
As orientações posturais devem ser reforçadas com o objetivo de evitar dores musculares causadas por uma postura inadequada e o paciente deve ser incentivado a permanecer sentado, sempre que for possível.
A fisioterapia auxilia no tratamento dos pacientes submetidos ao transplante, melhorando a função global ou na reabilitação de funções comprometidas, caso surjam. Os benefícios dos exercícios para pacientes com câncer são reconhecidos não só nos aspectos da função física, mas também na melhora da qualidade de vida, durante todo o período de tratamento.
Cinthia Moreno – Fisioterapeuta da Casa Durval Paiva, CREFITO 83476-F
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