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FINANÇAS PESSOAIS E ECONOMIA – Guilherme Viveiros

SENSAÇÃO DE ESPERANÇA! – 

Sabe aquela sensação de andar e achar que não saiu do canto? Pois bem, considerando a nossa experiência com a política nacional, acredito que estamos andando a uma velocidade alta, pelo menos considerando a reforma da previdência. No início do ano esperávamos um avanço na economia brasileira ainda no final do primeiro semestre com a aprovação da previdência. Entretanto, negociar com o congresso brasileiro não é nada fácil e estamos avançando com a reforma da previdência mediante um forte apoio popular.

Hoje os gastos da Previdência representam 53,4% (R$768 bilhões) dos gastos totais do governo e isso significa 3 vezes mais que os gastos com Saúde, Educação e Segurança juntos (R$228 bilhões). Sem sombra de dúvidas a Reforma da Previdência deve ser aprovada para que consigamos ter planos para o futuro.

Para onde seguiremos?

Com a drástica queda de juros em todo o mundo, em virtude da redução dos custos mundiais, lideradas principalmente pela implementação da tecnologia nas empresas e envelhecimento da população na Europa, já chegamos há 7 países com juro real negativo, ou seja, a inflação é maior que a taxa de juros que remunera as aplicações financeiras.

Essa expressiva redução da taxa de juros, provoca uma imediata valorização do mercado de ações. Mas isso ocorre, principalmente, por uma avaliação financeira (desconto do fluxo de caixa futuro a uma menor taxa de juros) e não em virtude econômica (aumento da receita e crescimento do lucro).

A partir deste momento, a escolha de boas opções de investimento proporcionará uma diferença significante no aumento do seu patrimônio, visto que as empresas que adotarem as melhores estratégias e melhor se posicionarem, conseguirão capturar as melhores oportunidades para seu crescimento.

Mas em paralelo ao cenário positivo nacional, vivemos um cenário nada confortante internacionalmente. Guerra comercial, envelhecimento da população internacional se acentuando, economia americana apontando para uma recessão em 2020, menor crescimento econômico da China e juros real negativo em vários países europeus (uma arma a menos no combate a recessão). Ou seja, quando olhamos para dentro de casa, uma excelente perspectiva, mas quando olhamos para fora de casa, pessoas correndo de um lado para o outro sem saber onde vão chegar.

Economia Brasileira e as oportunidades de investimento

Com a finalização da votação em primeiro turno a expectativa de economia com a reforma da previdência para de R$1,2 trilhão (proposta apresentada inicialmente), para uma economia de em torno de R$850 bilhões e a economia proposta por Michel Temer era de R$480 bilhões, ou seja, estamos nos preparando ainda mais.

Mas a economia brasileira vem patinando há alguns anos, muitas empresas, principalmente as grandes, demitiram colaboradores, implantaram novas tecnologias e mudaram seus processos, se prepararam para uma guerra. A guerra veio, demorou muito mais do que o esperado e elas se adaptaram a viver em período de escassez.

Na minha visão particular acredito que a economia irá retomar mais fortemente em 2021, mas a empregabilidade continuará em tempos difíceis, por um período mais longo do que imaginamos, são mais de 12 milhões de desempregados, sem contar aqueles que já desistiram de procurar emprego e foram para a economia informal.

Aquelas empresas que melhor se adaptaram ao a revolução tecnológica, que estão mais voltadas para o mercado nacional e não dependem tanto da economia internacional (empresas de commodities), provavelmente surfarão um momento mais prospero que as demais.

As taxas de juros continuarão baixas por um longo período e os investimentos em %CDI servirão, única e exclusivamente para fundos de reserva e diminuição da volatilidade das carteiras de investimento, voltados para aqueles clientes conservadores e moderados. Os investimentos em juro real (Inflação + X%, principalmente os mais longos) em períodos de alta volatilidade e com tendência de baixa taxa de juro no longo prazo, são os mais indicados. E em virtude da melhor previsibilidade econômica, diminuição de risco Brasil, os títulos Corporativos (Debêntures, CRIs e CRAs – isentas de IR), passam a se tornar mais interessantes.

O risco Brasil está diminuindo, o país está deixando de ser um país de rentista (viver de juros) e para buscar maiores rendimentos, os investidores terão que buscar investimentos e não renda.

 

Guilherme Viveiros – Engenheiro Civil com MBA em Gestão Empresarial pela FGV, guilherme@wflowinvest.com

 

As opiniões contidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
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