A expectativa de novas e acentuadas quedas no preço do barril de petróleo, com o fim das sanções ao Irã anunciado ontem, deve ser vista com cautela, segundo analistas. O mercado antecipava a possibilidade e as recentes quedas já estavam inseridas na expectativa da suspensão dos embargos ao Irã. O que é preciso destacar é que, apesar de os EUA terem anunciado o fim das sanções, na prática ainda há um longo caminho para que ele se concretize de fato.
O fim das sanções anunciado ainda vai sofrer uma longa batalha pela frente. Mas os especuladores e o mundo devem se conscientizar de que a crise do petróleo tem como razão principal a questão geopolítica, com países produtores enfrentando a oposição de um segmento financeiro do mundo. E também é preciso destacar que na Arábia Saudita, o custo do petróleo não significa só produção, mas sim a própria manutenção do estado. Tudo na Arábia, todos os serviços, são pagos com dinheiro do petróleo.
Nesse quadro, o Brasil tem a vantagem de ter um elevado consumo interno, que minimiza o problema. O que é produzido é consumido. Em 2015, a estatal produziu 2,128 milhões de barris por dia, número equiparado ao consumo, também na faixa dos 2 milhões de barris. A derrocada no preço do barril assusta mais os países que são 100% dependentes do petróleo. Mas é necessário se adotar um profundo programa de reforma na área econômica, que possa preservar a atividade fim da Petrobras, mesmo com a participação estrangeira, Isso passa a ser fundamental para a sobrevivência da estatal.
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