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Famosos e autoridades lamentam incêndio em galpão da Cinemateca Brasileira

Incêndio em galpão da Cinemateca, na Vila Leopoldina, Zona Oeste de São Paulo. — Foto: Reprodução/TV Globo

Famosos usaram as redes sociais para lamentar o incêndio que atingiu o galpão da Cinemateca Brasileira, localizado na Vila Leopoldina, Zona Oeste de São Paulo, na noite desta quinta-feira (29).

Segundo informações dos bombeiros, o fogo começou quando uma empresa terceirizada fazia manutenção do ar condicionado na noite dessa quinta-feira (29). Não houve vítimas.

Os atores Leandra Leal e Gustavo Machado, e o governador de São Paulo, João Doria, foram alguns dos que usaram as redes para se manifestar.

Kleber Mendonça Filho, cineasta brasileiro e membro do júri do Festival de Cannes

“Um incêndio atingiu a Cinemateca Brasileira na noite passada, em São Paulo. Quatro toneladas de material foram perdidos. Após o incêndio no Museu Nacional do Rio e múltiplos pedidos de ajuda na comunidade do cinema (20 dias atrás, eu falei sobre isso em Cannes), nada foi feito. Não parece que isso foi um acidente.”

Laís Bodansky, cineasta

“Incêndio no galpão da Cinemateca Brasileira com mais de 2 mil copias de filmes da história do audiovisual brasileiro. Já se sabia que isto podia acontecer pela omissão do governo federal na gestão da Cinemateca. Isso é crime.”

Ainda na noite de quinta-feira (29), em entrevista ao “J10”, Laís falou sobre o incêndio.

“É um dia de luto pro audiovisual brasileiro, pra nossa indústria do cinema brasileiro, porque de fato nossa memória está sendo apagada. Já vinha sendo, isso é um projeto. Se tem uma coisa que esse governo atual tem como projeto, é desfazer toda a nossa indústria cultural, nossa memória. O dia de hoje é simbólico porque esse incêndio está apagando completamente o que nos resta.”

“É uma tristeza geral. Quando vi a notícia, o choro veio, entalou na garganta porque é inacreditável. É inacreditável porque não é por falta de aviso de forma alguma, não por falta de o próprio setor se movimentar, pedir ajuda, a sociedade civil se mobilizou. Se algumas coisas foram feitas, foi por causa dessa mobilização. Mas não dava pra fazer. Nos grupos de WhatsApp que participo, todo mundo está se perguntando: ‘Faltou alguma coisa que a gente não fez?’. Está todo mundo se culpando: ‘O que a gente poderia também ter feito a mais?’. Então tem muita dor, muita tristeza.”

Lauro Escorel, cineasta, em entrevista ao “Em Pauta”

“É uma tragédia anunciada. A gente já vivia essa expectativa. As questões dos incêndios fazem parte da história da nossa cultura, Museu Nacional, Museu da Língua Portuguesa, e a própria Cinemateca. É uma tragédia, onde a gente ainda não tem noção exata do que se perdeu, mas se perde o patrimônio do país, o patrimônio de todos nós. E a falta de compreensão e a negligência como a Cinemateca vem sendo tratada nos últimos anos, exige que se responsabilize alguém pelo o que está acontecendo.”

“Não é possível que a gente siga com tantos incêndios. Não é só o acervo do Glauber Rocha, são muitos filmes, parecem que são toneladas de documentação, a história do cinema brasileiro. É uma tragédia que poderia ter sido evitada. E certamente se houvesse uma outra compreensão da especificidade do trabalho de uma cinemateca, não é qualquer empresa que pode ser contratada. Existem técnicos capazes de cuidar disso, que foram despedidos. Então é uma história muito triste e está acontecendo uma coisa que a gente temia que acontecesse e infelizmente hoje a gente recebeu essa notícia.”

Sandra Kogut, cineasta, em entrevista à GloboNews

“Muito importante a gente dizer que a Cinemateca não é um depósito de filmes, é algo muito maior do que isso. A gente tem ali registros de quem a gente é. Eu, por exemplo, só faço filmes porque antes de mim, muitas pessoas fizeram. E foi vendo esses filmes, dessas pessoas, que eu me tornei uma pessoa que faz filme. E a gente tem o registro ali de como as pessoas no Brasil falavam, gesticulavam, viviam, ao longo dos últimos 100 anos. E a Cinemateca está pedindo socorro há mais de um ano. Esses funcionários que foram demitidos também são um patrimônio, são frutos de muito investimento. Trabalhar em um acervo como esse, requer muito saber, muito conhecimento. Os filmes que estão ali pedem atenção constante. Eles precisam ser manipulados, precisam estar conservados em condições muito específica de temperatura, umidade, então é uma tragédia de proporções realmente gigantescas.”

Walter Salles, cineasta

“O incêndio do galpão da CB é o resultado do desprezo e incompetência de um governo que veio para apagar a nossa memória coletiva, e não para preservá-la. Ao afastar o corpo técnico altamente especializado da CB, o governo criou as condições para essa tragédia anunciada. Esse desastre não é um incidente, e sim a consequência de uma política de estado. Uma Cinemateca guarda a memória visual de todo um país. É um bem público, que pertence a todos os brasileiros e não a um governo. Simbolicamente, o incêndio do galpão da Cinemateca Brasileira – e portanto da nossa memória coletiva – é como o incêndio das terras públicas na Amazônia. Um crime.”

Fonte: G1RN

Ponto de Vista

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