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Falha em serviço que integra Amazon, Mercado Livre e outros expõe 1,7 bilhão de registros, dizem pesquisadores

Segundo laboratório, incidente da Hariexpress expôs dados como nome, e-mail e telefone de milhares clientes — Foto: Altieres Rohr/G1

Uma falha no banco de dados da Hariexpress, plataforma usada por algumas das principais varejistas do país, expôs 1,75 bilhão de registros, segundo o laboratório de cibersegurança Safety Detectives. O erro tornou públicas informações como nome, telefone e endereços de clientes e vendedores.

Os pesquisadores identificaram uma configuração incorreta na base de dados da Hariexpress, cujo serviço integra marketplaces de empresas como Amazon, Mercado Livre, B2W Digital, Shopee e Magazine Luiza. As lojas não têm relação com o incidente (veja o posicionamento mais abaixo).

A plataforma da Hariexpress permite que vendedores exibam seus produtos em diversas varejistas. A integração, porém, faz a Hariexpress ter acesso a informações sobre lojistas, clientes e pedidos.

O Safety Detectives afirma que o tamanho da base de dados dificulta saber com precisão quantas pessoas foram afetadas, mas estima que o incidente afeta “centenas de milhares, se não milhões de usuários e compradores brasileiros”.

O que é a Hariexpress?

A Hariexpress oferece um serviço em que comerciantes podem automatizar vendas por meio de marketplaces, em que grandes varejistas exibem produtos de terceiros.

Para facilitar o processo, a Hariexpress tem uma plataforma para vendedores cadastrarem seus produtos de uma vez em várias lojas. Além das já citadas, a empresa tem integração com as plataformas tinyERP, Bling! e Nuvemshop. A Hariexpress também possui integração com os Correios.

O que foi exposto?

A base da Hariexpress tinha 610 gigabytes de informações, segundo o Safety Detectives. Entre os registros encontrados, estão dados pessoais de clientes e lojistas, como:

  • Nome completo (e nome de usuário)
  • E-mail
  • Telefone
  • Endereço
  • Endereço de cobrança e valores de pedidos
  • Imagens dos produtos entregues

 

Ainda de acordo com o laboratório, os dados de vendedores incluíam CNPJ, CPF e detalhes das cobranças. Eles afirmam que a base de dados também exibia links para faturas – que reúnem endereços de clientes e empresas –, senhas criptografadas e códigos de rastramento de pedidos.

Os pesquisadores apontam que os registros na base de dados estavam em português e tinham várias referências à Hariexpress. O laboratório diz ter descoberto a falha em junho, mas alerta que, aparentemente, as informações estavam expostas ao menos desde 12 de maio.

O grupo informou que não conseguiu tratar do incidente no servidor com a Hariexpress.

Qual é o impacto da falha?

A maioria das informações expostas pertence a clientes de lojistas que usavam a plataforma da Hariexpress.

Ao se tornarem públicos, os e-mails podem ser usados em mensagens falsas e golpes de engenharia social, em que vítimas são induzidas a revelar mais dados particulares em sites criados por golpistas. As informações também pode ser aproveitadas para disseminar boletos falsos, por exemplo.

Para os lojistas, há o risco de pedidos falsos de reembolso e roubos de conta. Os pesquisadores também apontam que a falha pode levar a casos de espionagem corporativa, já que empresas poderiam buscar detalhes sobre produtos mais vendidos por seus concorrentes.

g1 entrou em contato com a Hariexpress, mas não houve retorno até a publicação da reportagem.

O que dizem as varejistas parceiras

A Shopee afirmou que “leva a privacidade dos dados muito a sério e está empenhada em garantir a segurança e proteção de seus usuários” e que a HariExpress informou que seus usuários não foram impactados.

Os Correios disseram que “o material publicado pela Safety Detectives não especifica quais dados pessoais de origem da empresa podem ter sido supostamente vazados” e que até o momento “não há indícios de violação de informações – de pessoas físicas ou jurídicas – oriundas da base de dados da estatal”.

“O sistema dos Correios que mantém integração ao servidor citado atua apenas na aferição de peso de encomendas e precificação, não havendo o processamento de dados pessoais. Outros dados compartilhados eventualmente na transação entre os sistemas, tal como o CEP, não permitem identificar titular de dado pessoal, tampouco código de rastreio de objetos. Ainda assim, os Correios seguem apurando o caso, para tomar as providências necessárias e corretivas, no que couber”, completa a nota.

A Magazine Luiza disse que “não registrou qualquer vazamento de dados e mantém constante monitoramento da segurança de suas informações” e que durante os 10 meses em que a HariExpress ofereceu a integração ela “adicionou apenas 30 sellers e registrou 12 vendas realizadas”

Outras lojas que se integram à Hariexpress não retornaram o contato do g1até a última atualização dessa reportagem.

Fonte: G1

Ponto de Vista

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