A FALÊNCIA DO SERVIÇO PÚBLICO – Guga Coelho Leal

A FALÊNCIA DO SERVIÇO PÚBLICO – 

Fui funcionário público 28 anos e vejo hoje como as “coisas” andam bem diferente do meu tempo. Comecei minha vida profissional como auxiliar de engenheiro no Departamento de Estradas de Rodagem-DER RN. Depois, me formei em engenharia e fui engenheiro residente do 3° Distrito Rodoviário sediado no município de João Câmara, no ano de 1971.

Havia nesta época no DER sete Distritos, mas, apenas seis funcionavam já que o de Santana do Matos estava desativado. Em cada Distrito havia a sede que era um pequeno DER uma oficina mecânica, uma patrulha mecanizada – duas motoniveladoras, oito caminhões caçambas, duas pás carregadeiras, dois tratores de esteiras, um trator agrícola, dois caminhões, três camionetes, uma unidade de lubrificação, duas bombas de combustíveis, dois rolos compactadores, um almoxarifado para reposição de peças e material de consumo e expediente que mandava todo mês um relatório para o almoxarifado central situado da sede das oficinas em Natal.

Alem de disso, o Distrito de Mossoró, tinha um centro de treinamento para todos os funcionários. TUDO ISTO FOI JOGADO FORA.

A sede em Natal, funcionava com varias divisões administrativas correlatas com a construção e manutenção rodoviária, Uma oficina mecânica completa e uma usina de asfalto. Havia um auditório onde se realizam palestras, cursos e reuniões com funcionários. Uma procuradoria jurídica e um serviço médico-dentário. TUDO ISTO ACABOU. Todos se orgulhavam da nossa repartição.

Quando funcionário da Prefeitura de Natal, prestei serviço na SUMOV hoje SEMOPI onde fui diretor de conservação. Era prefeito na época o engenheiro Vauban Bezerra de Faria, para mim o melhor prefeito da nossa cidade.  Pois bem, na administração Vauban Bezerra ele deixou projetos de viabilidade e construção do prolongamento da Prudente de Morais, previu e deixou projetos para alargamento das Avenidas Hermes da Fonseca e da própria Prudente, que juntamente com as Ruas Jaguararí e Olinto Meira iam ate o município de Parnamirim, na época chamado de Eduardo Gomes. Essas ruas funcionavam duas a duas com sentido único do trânsito, ou seja, mão única e com o fluxo de veículos contrários para as ruas paralelas, As Avenidas Bernardo Vieira e Antonio Basílio funcionavam da mesma maneira. Neste mesmo projeto previa o alargamento da Rua Mário Negócio e Felizardo Moura e muito outros projetos. Viaduto do Baldo, cortina atirantada da Avenidas Getúlio Vargas entre ouros.

Na época do inverno, a SUMOV funcionava vinte e quatro horas, Não era raro a equipe técnica da SUMOV juntamente com o prefeito em noites de chuva forte, percorrer as ruas de Natal pela madrugada, para que no outro dia logo nas primeiras horas do expediente, fossem tomada as providencias de reparo ou socorro dos danos causados. HOJE SE FAZ ISTO?

O que vejo  são funcionários desmotivados, salários baixos, pouca capacitação.

Acho que Natal é a única cidade do Mundo que tem uma ciclovia no mesmo corredor de ônibus. Digo acho, porque não conheço todas as cidades do mundo.

Se tivesse espaço e tempo escreveria muito mais sobre a falência do serviço público, para mim uma tristeza, para o povo uma realidade.

Guga Coelho Leal – Engenheiro e escritor, membro do IHGRN

As opiniões emitidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
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