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Fachin reage a tuíte de general antes de julgamento de Lula e diz que pressão sobre Judiciário é ‘intolerável e inaceitável’

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse nessa segunda-feira (15) que qualquer pressão fora da normalidade jurídica sobre o poder Judiciário é “intolerável” e “inaceitável”. Fachin deu a declaração ao comentar posts do ex-comandante do Exército general Eduardo Villas Bôas, publicados em 2018, no dia em que o tribunal julgaria um pedido da defesa de Luiz Inácio Lula da Silva contra a prisão do ex-presidente.

Na ocasião, Villas Bôas, então comandante do Exército, escreveu no Twitter: “Asseguro à Nação que o Exército Brasileiro julga compartilhar o anseio de todos os cidadãos de bem de repúdio à impunidade e de respeito à Constituição, à paz social e à Democracia, bem como se mantém atento às suas missões institucionais”.

Em seguida, num novo post, ele acrescentou: “Nessa situação que vive o Brasil, resta perguntar às instituições e ao povo quem realmente está pensando no bem do País e das gerações futuras e quem está preocupado apenas com interesses pessoais?”

Os posts do general voltaram a ser discutidos nos últimos dias com a publicação do livro “General Villas Bôas: Conversa Com o Comandante”, escrito pelo pesquisador da Fundação Getúlio Vargas Celso Castro, a partir de relatos feitos a ele pelo militar.

No livro, Villas Bôas conta que o texto que publicou na rede social “teve um ‘rascunho’ elaborado pelo meu staff e pelos integrantes do Alto Comando residentes em Brasília”. Disse também que “tratava-se de um alerta, muito antes que uma ameaça”.

Em seu comentário sobre o caso, Fachin acrescentou que cabe ao Supremo defender a Constituição. O ministro foi o relator do habeas corpus pedido pela defesa de Lula.

O ministro disse ainda que o golpe contra o Capitólio (sede do Congresso dos Estados Unidos) no dia 6 janeiro foi frustrado porque as Forças Armadas norte-americanas tiveram “postura exemplar” e se mantiveram “dentro da legalidade constitucional”.

“Frustrou-se o golpe desferido nos Estados Unidos da América do Norte contra o Capitólio pela postura exemplar das Forças Armadas dentro da legalidade constitucional. A grandeza da tarefa, o sadio orgulho na preservação da ordem democrática e do respeito à Constituição não toleram violações ao Estado de Direito democrático”, completou o ministro.

No julgamento em 2018, a defesa de Lula tentava evitar a prisão após a condenação de Lula em segunda instância por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex no Guarujá (SP). Por 6 votos a 5, o Supremo rejeitou o pedido da defesa. Dias depois, por ordem do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, Lula foi preso.

Fonte: G1

Ponto de Vista

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