A eleição está centrada na economia, que sofre com um repique da inflação e uma desaceleração do crescimento, que deve ficar próximo de zero este ano. Os investimentos são vistos pelos analistas como a principal forma de estimular a retomada do crescimento. Um dos setores bases da economia é o elétrico. O setor tem tradição de investimentos bilionários e de vital importância para o país, com a construção de projetos de geração e transmissão, além dos aportes nas redes de distribuição e a comercialização de energia. Atualmente, o setor passa por um de seus momentos mais difíceis desde o racionamento de 2001. Com reservatórios em baixa, geração termelétrica em níveis históricos, os gastos das distribuidoras com energia explodiram, um socorro foi necessário. A desorganização de um setor antes visto como previsível, o fez se tornar centro das atenções da campanha.
As três candidaturas falam em voltar a estimular os investimentos no setor para garantir a modicidade tarifária, a continuidade da expansão da oferta de energia, sobretudo com energia renovável. Dilma quer continuar o processo de investimentos que vem sendo realizados, em grandes projetos como as hidrelétricas de Belo Monte e do Rio Madeira, e os linhões do Madeira e Tucuruí-Manaus-Macapá. A candidata visitou essas obras, mostrando em seu programa a sua importância. Aécio quer fazer mudanças no setor para retomar a atratividade para os investidores privados. Entre suas diretrizes estão melhorar o nível de governança das estatais do setor, dar mais transparência a formação de preço e estimular o mercado de gás, entre outros pontos. Marina, por sua vez, aposta nas fontes renováveis, como solar e eólica, e na instalação de microgeração para garantir o suprimento de energia.
Todos os três principais candidatos tem abordado o setor de forma mais ou menos contundente nos seus discursos, em decorrência, principalmente, da situação dos reservatórios em baixa, que já prejudica, não só a produção de energia, mas também os outros usos, como abastecimento de água; e os reajustes tarifários, que já chegaram a casa dos 40%. Esses problemas prometem encontrar o próximo mandatário já em 2015. Para os agentes do setor, essa sua exposição deve levar a que ele seja tratado com a seriedade que precisa por sua importância para a economia.
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