O monitoramento diário do Climate Reanalyzer – plataforma online interativa desenvolvida pelo Instituto de Mudanças Climáticas da Universidade do Maine a partir de dados da Agência Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês) – aponta que asanomalias no Niño 3.4 já superam os 3°C (+3,04°C registrado em 20 de setembro).
➡️O Niño 3.4 é uma das principais faixas do Oceano Pacífico Equatorial usadas para acompanhar a evolução do El Niño.
Para se ter uma noção, esse aquecimento representa o maior valor diário da temperatura dessa faixa do oceano já registrada. A anomalia está acima, inclusive, do que foi observado no pico do fenômeno em 2015 – considerando um dos El Niño mais intensos já vistos.
Entenda: O El Niño e a La Niña são as duas fases do mesmo fenômeno climático, chamado ENOS (El Niño-Oscilação Sul). O El Niño é caracterizado pelo aquecimento maior ou igual a 0,5°C das águas do Oceano Pacífico equatorial.
O relatório semanal da agência americana também é preocupante. Os dados indicam que essa mesma faixa teve uma anomalia média de 2,1°C na última semana.
José Marengo, coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Cemaden, explica que, apesar dos dados diários registrados aparecerem entre 2,8°C e 3°C, a média mensal do Niño 3.4 é que vale para definir o grau de intensidade do fenômeno – no caso, a média de setembro está em 2,1°C.
De maneira geral, a escala do fenômeno é medida de acordo com os seguintes parâmetros:
“Não existem Super El Niño, Mega El Niño, Godzilla El Niño, esses são nomes que a imprensa usa. A classificação da NOAA vai de fraco, moderado, forte e muito forte, e, até o momento, podemos considerar muito forte”, analisa Marengo.
A análise mais recente da NOAA, publicada em 10 de setembro, alertava para a intensificação do El Niño e previa uma chance de 75% de o fenômeno ser o mais intenso desde 1950.
Ainda que as temperaturas diárias já superem o observado em anos de recordo do fenômeno, o El Niño de 2026 está longe de atingir seu pico.
Segundo os climatologistas, a expectativa é que o momento de maior aquecimento do oceano aconteça entre novembro de 2026 e janeiro de 2027.
Em 2015, quando o fenômeno teve uma intensidade impressionante, o pico aconteceu em 19 de novembro, segundo o monitoramento do Climate Reanalyzer. Na ocasião, a anomalia foi de +3,02°C.
“Não temos uma previsão de anomalias, mas o aquecimento pode chegar à média mensal próxima de 2,6°C ou 2,8 °C. Certamente pode ter dias com 3°C ou mais, mas a média mensal é utilizada para caracterizar a intensidade do El Niño”, prevê Marengo.
A força do El Niño depende do quanto o Pacífico Equatorial vai aquecer nos próximos meses e, principalmente, de como a atmosfera vai responder a esse aquecimento.
Os especialistas reforçam que o oceano e atmosfera são imprevisíveis, e que todas as previsões têm um grau de incerteza. Mas a avaliação, de maneira geral, é que não há nada que possa mudar esse padrão.
“As águas mais quentes estão avançando e não aparece sinal algum de água fria, talvez só a partir de março de 2027”, comenta o Climatologista.
O El Niño é um aquecimento fora do normal das águas do Oceano Pacífico na faixa próxima à linha do Equador.
Ele faz parte de um ciclo natural do clima que alterna fases quentes (El Niño), frias (La Niña) e neutras — com impactos em várias regiões do planeta.
Esse aquecimento muda a circulação da atmosfera e altera o padrão de chuvas e temperaturas em diferentes partes do mundo.
No Brasil, os efeitos costumam ser desiguais: o Sul tende a ter mais chuva, enquanto áreas do Norte e do Nordeste podem enfrentar períodos mais secos.
O fenômeno também influencia a temperatura global. Em anos de El Niño mais intenso, o planeta costuma registrar calor acima da média, somando-se ao aquecimento global.
A intensidade varia de um evento para outro, assim como os impactos. E, com o planeta já mais quente, mesmo episódios moderados podem ter efeitos mais fortes do que no passado.
Historicamente, o El Niño altera o padrão de chuva e temperatura no país e causa:
Segundo especialistas, um dos principais efeitos esperados é o aumento de períodos prolongados de calor, especialmente na primavera e no verão.
Mesmo com a alternância entre La Niña, neutralidade e El Niño, os cientistas destacam que o aquecimento global continua sendo o principal fator por trás das mudanças no clima.
Com os oceanos já mais quentes do que a média histórica, a expectativa é de que os próximos meses sigam registrando temperaturas elevadas em várias regiões do planeta.
Fonte: g1
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