É PRECISO CANTAR –

A música é a linguagem entendida e amada pela humanidade. O esperanto e outras línguas, criadas para serem usadas por todos os homens, não conseguiram o objetivo. O poder musical está, certamente, no que percebeu Victor Hugo: “A música expressa o que não pode ser dito em palavras e não pode ficar em silêncio”.

Já na pré-história, os homens cantam, inclusive, coletivamente. Os corais teriam tido desenvolvimento a partir do canto gregoriano. Os católicos cantavam em latim. Os alemães passaram a cantar em língua viva após a tradução luterana. Eram manifestações litúrgicas em cantos solenes, majestosos.

O canto coral atingiu o nível de excelência com J. S. Bach. A sua obra popularizou-se, sem perder a grandeza. A música coletiva ganhou a expressão de uma prece, de elo definitivo da harmonização, a voz humana a serviço da beleza.

No Brasil, Villa Lobos inspirou-se, igualmente, em Bach para a criação e difusão do canto coral. Ele constatou que o povo brasileiro tem intuição musical profunda e que o nosso povo pode e deve cantar. Villa Lobos valorizava também toda a forma artística, porque: “O artista é um predestinado, extremamente útil à humanidade”.

Pesquisadora de música, Leide Câmara registrou que o prefeito de Natal, Djalma Maranhão, através do decreto 531, de 12 de dezembro de 1960, criou o coral da Cidade, sob inspiração do maestro Waldemar de Almeida.

O nosso Rio Grande tem riqueza musical. Seguimos também a disposição de Gonzaguinha: “É preciso cantar e cantar e cantar” porque “a vida devia ser bem melhor e será”!

O fato é que os corais se multiplicaram e destacaram-se pelo valor da singularidade dos maestros e componentes, pelo estímulo das instituições à quais estão ligados, pela faixa etária dos cantores e pelo foco principal, as apresentações.

Não é preciso ter voz com predicados especiais para a participação num coral. O imprescindível é a afinação e seguir o maestro. Os componentes do coro ganham no trabalho em equipe, em solidariedade e autoestima. Em verdade, a atividade funciona também como cantoterapia.

Emocionei-me profundamente ao ouvir o coral infantil da Escola Estadual Alceu Amoroso Lima, sob a regência do maestro Janilson Batista da Silva, apoiado pelo entusiasmo do diretor Reinan Alessandro de França. As crianças entoaram as belas composições de Carlos Zens: “A Flor Xanana” e “Natal das Dunas Brancas”.

O maestro Janilson, vocacionado, aproveitou o melhor da notável escola de música da UFRN e do talento admirável dos maestros: Padre Pedro Ferreira, André Muniz e Leandro Gazineo.

Nestes tempos de tantas perdas, cantemos. Ao menos para espantar os males!

 

Diógenes da Cunha Lima – Advogado, Poeta e Presidente da Academia de Letras do RN

As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores
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