Eles não têm carteira assinada, mas pegam no batente em grandes empresas no Brasil. Fazem barulho. Não por melhores condições de trabalho, mas com suas hélices. Podem se locomover a 110 km/h, fazendo o trabalho de dois ou mais homens. Os veículos aéreos não tripulados, ou drones, começam a ser recrutados para executar funções antes realizadas por pessoas.
Da mineradora Vale à companhia de energia AES Tietê, empresas ouvidas pelo Portal G1 afirmam que os empregados substituídos não são demitidos, mas realocados para tarefas “mais nobres”. Gastam até R$ 500 mil com os robozinhos, mas economizam outros milhares com mão de obra.
Ganham ainda em eficiência e precisão. E isso antes de o governo finalizar a regulamentação das maquininhas voadoras. Lá do alto, elas já vigiam plantas industriais, entram em minas e encontram falhas em telhados. A tendência é que o avanço de robôs, não só dos drones, e de outras tecnologias mude a dinâmica no mercado de trabalho.
Tanto é que o estudo “A Revolução das Competências” do ManpowerGourp, apresentado no Fórum Econômico de Davos, aponta que 45% das atividades feitas por humanos no ambiente de trabalho podem ser automatizadas dentro de dois ou três anos.
As companhias ouvidas pelo portal estão em diferentes etapas. “Agora estamos em outra fase, não mais a da aplicação do drone, mas a da melhoria do uso”, diz Freitas, da AES Tietê. Quando começou a usar drones, entre 2011 e 2012, a geradora de energia adotou um modelo simples, que ficava meia hora no ar. Hoje, usa um tipo mais robusto, que voa por 2 horas e 40 minutos e é colocado no ar com um estilingue.
A Vale começou a usar os dela em 2015 na mina de Burucutu, perto de Itabira, em Minas Gerais. Até o fim de 2017, levará a tecnologia ao recém inaugurado Projeto Ferro Carajás S11D, na Serra dos Carajás, no Pará. Em meio a uma área de 400 mil hectares (equivalente a 40 campos de futebol), os drones terão ainda a tarefa de monitorar as áreas de preservação ambiental, além da região de lavra. “Há uma tendência muito forte de usar o drone em todas as minas que a vale atua, principalmente em grandes levantamentos”, afirma Zanetti.
A Manserv aderiu à onda das máquinas voadoras há dois anos e estuda ampliar seu uso para inspeções de áreas de risco.
Apesar de já haver normas brasileiras que permitam o uso corporativo de drones, ainda há lacunas que deixam empresas interessadas receosas.
A regulamentação brasileira ainda restringe algumas aplicações vistas no exterior, como a entrega de produtos feita pela Amazon no Reino Unido – drones não podem sobrevoar sobre pessoas – e o monitoramento de túneis de obras do metrô no Japão – não podem voar em ambientes fechados.
Essas regras de voo foram publicadas no fim de 2015 pela Força Aérea Brasileira. Falta ainda a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) criar um sistema de registro de drones, o que só deve sair quando a Casa Civil propuser uma emenda constitucional que trará, entre outras deliberações, uma forma simplificada de registro de pilotos. Hoje, os interessados em se cadastrar têm de passar pelo mesmo processo de quem for pilotar um Boeing.
Fonte: G1
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