DESDE ALCAÇUZ, A CRISE NA SEGURANÇA EM NATAL – Luiz Serra

DESDE ALCAÇUZ, A CRISE NA SEGURANÇA EM NATAL –

Há quem assegure que a crise da (in)segurança pública em Natal tenha como estopim o desmazelo no trato das penitenciárias do Rio Grande do Norte. Penso que é maior. Alcaçuz revelou uma falha gritante no sistema público. Eu estava em Natal quando do anúncio de 130 presos mortos no presídio, uma calamidade humanamente inaceitável. O cenário espraiava pela tevê para o resto do país, uma verdadeira batalha campal entre os detentos, e nitidamente via-se que os policiais teriam dificuldade de tomar o controle da situação. Se houve demora da comunicação, ou nem precisava diante das cruas imagens na mídia, questionava-se a tardia intervenção das forças federais. Ao ver tais cenas me perguntava sobre a integridade dos policiais penitenciários e os demais milicianos potiguares, como estavam as condições de vida pessoal deles para poderem encarar uma circunstância continuada de guerra. E mais. Passou-se a conhecer que a conjuntura do tráfico de drogas excedia os limites para uma cidade turística e cultural do porte de Natal.

Nitidamente a resposta para a apreensão acima passamos a conhecer agora neste contexto assustador. Salários atrasados de policiais, no caso me refiro a situação em tela, os mesmos funcionários aptos a enfrentar presidiários em fuga que sobrepujaram outros tantos de facções meneando terçados. Não creio que devamos lançar apenas olhos desesperançados à administração local, que parece ter perdido a lógica deletéria e danosa que desaba sobre a sociedade contribuinte. O governo federal, por vezes, nos dá a impressão que o Brasil tem menor circunscrição geográfica, ou que age como se estivéssemos no tempo das caravelas e carruagens. Não foram poucos os reclamos pela lenta disposição para amenizar a aflição da sociedade potiguar, laboriosa e injustamente apenada pelas seguidas crises de gestão.

Liberar as tropas militares seria como no cangaço se fazia para curar provisoriamente feridas contusas e abertas, com uso maciço de criolina. Resolvia por um breve tempo, mas a necessidade de cuidados médicos logo se faria necessária para a saúde ser restabelecida. Que a atenção constitucional devida à crise atual venha consubstanciada em uma parcial intervenção administrativa do governo central para que a novela com enredo na intimidação e medo não se estenda.

 

Luiz Serra – Professor e escritor
As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores
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