DELÍRIOS LIBERTÁRIOS E TIRANIAS TOTALITÁRIAS – Geraldo Ferreira

DELÍRIOS LIBERTÁRIOS E TIRANIAS TOTALITÁRIAS – 

O marquês de Sade, político, filósofo e escritor francês, famoso por sua sexualidade desregrada, diz que o espírito de um ser moral é todo tranquilidade e paz, o contrário é a “perturbação perpétua, que impulsiona e identifica o revolucionário.” Cercados de teorias conspiratórias, os Illuminati foram uma sociedade secreta, na época do Iluminismo, fundada pelo professor de direito canônico Adam Weishaupt, que se opunha à crendice e à religião. Se a razão moral é a forma de autogoverno do homem, a ideia do estímulo à paixão e ao fanatismo, provocaria obrigatoriamente a necessidade de dominação. Esse processo exigiria a derrubada da ordem política, centrada na moral religiosa, por uma filosofia naturalista, que exigiria nova forma de controle, substituindo a ideia de moral. O Positivismo de Comte toma forma de uma nova religião, antevendo a evolução da humanidade, sob o princípio da validação da ciência. Já o Marxismo se desenvolveria na direção determinista de um materialismo histórico e científico. Todos os reformadores de alguma forma bebiam na mesma fonte, a religião e a razão, destronadas de suas posições por novas forças coletivas, como interesses de classes ou elites dominantes. Mas antes é necessário se libertar da velha ordem, conduzindo uma ruptura social, que será doravante matriz do pensamento revolucionário do que se convencionou chamar esquerda. “Um homem tem tantos mestres quanto tem vícios. Promovendo o vício, o regime promove a escravidão, que pode ser transformada em controle político”, escreve E. Michael Jones em Libido Dominandi. O potencial para a insurreição e a necessidade de controle nasce da inclinação desordenada para o prazer. O prazer, o vício, a sexualidade, não o interesse próprio, são as forças gravitacionais que agitam os homens. As rodas da engrenagem que alimentam a manipulação política consistem em tornar a paixão ou o desejo um instrumento de controle político. Incite o vício, controle o homem; a libertação, prometida pelo Iluminismo foi lida, em outro tempo, por Santo Agostinho, como uma escravidão. Para o marquês de Sade, as paixões são politicamente necessárias para mover as massas inertes para a revolução. O conceito de libertação torna todas as revoluções possíveis. Todos os regimes totalitários, construíram sua teoria de controle social no desejo de reprogramar o comportamento humano, a antiga ordem, baseada na natureza, tradição e revelação, substituída pela vontade de poder. Antes, a fogueira revolucionária deve ser acesa, com a ideia de libertação, liberação ilimitada dos prazeres, paixões e vícios, até que a desordem avance no descontrole, inquietação social e caos, e exijam uma imposição externa, totalitária, que tomando a lei em suas mãos estabeleça um novo controle político. O estímulo à falsa libertação, pelo afastamento da moral, da religião, dos costumes, da tradição, da cultura, visa a assunção de uma ética individualista e egoísta, onde a família, a comunidade, os valores sejam vistos como freios aos prazeres e à liberdade pessoal, perdendo assim o sentido. A anulação da religião e da cultura, a destruição dos laços comunitários e familiares, substituídos por valores identitários como cor da pele ou sexualidade, busca desenfreada dos prazeres, através da liberação sexual, do uso de drogas, serviriam como veículos de subversão social e a seguir de controle político. Todas as formas de libertação, estimuladas pelas filosofias totalitárias visam ao controle de grupos, manipulado pela ideia de libertação, que se transformará em servidão. O vácuo no coração da moral iluminista, na França revolucionária, gerou o caos, demandando mecanismos de controle social como consequência necessária da libertação, para que se freasse a orgia de sangue, no mundo revolucionário que desconsiderava o fundamento religioso da moral. A razão sempre leva a ideias conflitantes sobre o caminho a ser tomado, o regime totalitário tomando a teologia como modelo cria uma ideologia de acordo com a conveniência de seus líderes. Até emergir o comunismo, nos cem anos que se seguiram à revolução francesa, o método Illuminati era sinônimo de revolução, tanto na teoria quanto na prática. A partir daí a ideia de revolução, desenvolvida nos duzentos anos seguintes, demarcou os termos que seriam definitivos, como colocados por E. Michael Jones “a batalha pela libertação seria a um só tempo uma batalha semântica e pelo controle da alma, e o controle seria sempre a essência da práxis revolucionária, não importando o quanto o termo liberdade fosse usado para justificar seu oposto.” A ruptura do tecido social a partir de uma compreensão moral fluida e à deriva, que tudo vê como opressão a serviço dos meios de produção e da classe proprietária, se tornam a sedução da esquerda para remodelar o mundo, onde a revolução constrói inapelavelmente, agora sob seu comando, autoridade e controle. Os medos da direita são o fascínio da esquerda.

 

 

 

 

 

Geraldo Ferreira – Médico e Presidente do SinmedRN

As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores
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