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Delegado federal fala sobre a Lava Jato em entrevista

O delegado federal Igor Romário de Paula estava há dois anos à frente da equipe responsável por puxar um fiapo que revelou um novelo de corrupção tão engenhoso e complexo que até agora não se sabe onde está a ponta final. Hoje, aos 43 anos, o policial curitibano que coordena as investigações da Lava-Jato comanda uma equipe de 2 930 policiais que atuam no desbaratamento do maior esquema de corrupção já revelado no Brasil.

Em entrevista á Revista Veja, ele falou que não tem como prever onde está o fim. Mas adiantou que pode afirmar que a Lava-Jato caminha para os ministérios da Saúde, Planejamento e para a Eletrobras, além de grandes usinas. Isso porque são esses os nichos nos quais as grandes empreiteiras que hoje estão sendo investigadas atuaram. Disse que há uma conjunção de fatores que tem propiciado um ambiente favorável à operação. O principal é a Polícia Federal e do Ministério Público poderem trabalhar de forma autônoma e sem interferências. Sem falar na atuação do juiz Sergio Moro, que é um profundo conhecedor da matéria.

Sobre as delações premiadas ele reconhece que são ainda um instituto novo e que foram usadas muitas vezes. Ele acredita que sem elas, não teria havido tanto avanço e a rapidez no processo. Os acordos de cooperação dos organismos jurídicos internacionais também foram determinantes para os resultados. Eles permitiram o acesso a documentos fundamentais para a operação. Disse que apesar de toda a visibilidade da operação, não ocorreu problemas até o momento. E que tem sido feito o mapeamento permanente da segurança dos investigadores, procuradores e, principalmente, do juiz Sergio Moro.

Segundo ele , no âmbito administrativo, nunca houve interferência de terceiros. Ele afirma que nunca foi perguntado sobre o que estava sendo investigado ou o que estava sendo deixado de lado. Também nunca foi perguntado sobre futuras ações no âmbito da operação. Apesar das pressões políticas sobre a direção-geral da PF, isso nunca se refletiu no trabalho. Para se ter uma ideia, a direção da PF em Brasília só fica sabendo das operações quando já são cumpridos os mandados de prisão e de busca e apreensão. Por causa da atual instabilidade política, não tem como prever como vão ficar as coisas. Mas entende que não há mais espaço para redirecionar as investigações

Ponto de Vista

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