Dona Gersina, viúva juramentada, não via o tempo passar, enquanto ela caminhava para a velhice, sem se dar conta da realidade.
Viúva há mais de quarenta anos, aquietou-se quanto ao assunto “2ªs núpcias”, depois de algumas decepções sofridas, com tentativas de golpes contra ela. Pensava que o tempo ia parar, mas não parou. Hoje, alquebrada e triste, olha para trás e vê quanto tempo perdeu na vida, para dar satisfação aos outros.
Adotou a premissa de sua santa Mãe, já no reino celestial há alguns anos, quando tentava conformá-la em permanecer viúva, dizendo-lhe sempre a frase fatídica e centenária “nem só de pão vive o homem.” Se bem que , brincando, digo eu: um pãozinho recém saído do forno, é bem-vindo, seja com manteiga, geleia ou queijo.
Quanto mais o tempo passa, mais mazelas aparecem em dona Gersina. Uma hora é artrose, outra é artrite, dor nas costas, nas pernas, o que misturando tudo resulta no conhecido reumatismo. Já teve que fazer cirurgia de vesícula, histerectomia, e até hipertensão e diabetes tipo 2 lhe apareceram. Tornou-se hipocondríaca e tem medo de doença.
Amante da boa música, dona Gersina tem em casa violão, teclado e sanfona, que toca amadoristicamente, desde mocinha.
Ultimamente, a mulher amanheceu o dia com a mão esquerda incomodando, como se tivesse sofrido um traumatismo. Notou o 2º quirodáctilo dobrado e dolorido. Mais que depressa, preparou-se para ir fazer uma consulta no Centro de Traumatismo de Natal, pois doença não se guarda. Em lá chegando com sua filha, pegou uma ficha preferencial e logo foi atendida.
Do tipo de mulher que só confia em médico “curioso“ e conversador, Dona Gersina não foi com a cara do doutor. Cara fechada e de pouca conversa, o médico de plantão limitou-se a examinar as duas mãos da paciente, sem lhe fazer qualquer pergunta sobre sua idade, nem sobre sua saúde de modo geral. Não perguntou nem se ela sofria de diabetes ou hipertensão, como sempre acontece. Limitou-se a lhe prescrever uma caixa de anti-inflamatório e requisitar uma ultrassonografia das mãos. Disse-lhe o médico que para mostrar o resultado da ultrassonografia, ela marcasse consulta com um ortopedista, especialista em Mãos.
Resumindo: Esta é uma amostra do atendimento da Saúde para quem possui plano. Imaginem para quem não tem.
O anti-inflamatório prescrito traz um alerta: Contraindicado para hipertensos. Por coincidência, Dona Gersina é portadora de hipertensão há anos. Lógico que não vai misturar esse anti-inflamatório com os remédios que toma para diabetes e hipertensão. A consulta foi perdida.
Insatisfeita com o atendimento inconsistente, superficial e relâmpago, na saída, Dona Gersina perguntou ao médico, que já havia aberto a porta para ela sair, se aquele incômodo no seu dedo tinha nome. De cara fechada e ríspido, segurando a porta, o homem de branco respondeu:
-Ora, a senhora já está perto de 80 anos!!! Só disse isso, “e bênção”. Bonitão, quarentão, ruivo e mal educado; sobrenome italiano, e só.
Dona Gersina saiu decepcionada. Consultou-se numa Farmácia, e está dando certo.
Violante Pimentel – Escritora
DÓLAR COMERCIAL: R$ 5,3910 DÓLAR TURISMO: R$ 5,6020 EURO: R$ 6,2530 LIBRA: R$ 7,2190 PESO…
A Fifa, entidade máxima do futebol mundial, confirmou nesta quarta-feira (14) que a seleção brasileira…
A espaçonave Dragon, da SpaceX, chegou à Terra na madrugada desta quinta-feira (15). Ela deixou…
O cantor de forró Raí Saia Rodada passou mal e foi internado em um hospital…
A Embaixada dos Estados Unidos no Brasil divulgou um comunicado oficial, nesta quinta-feira (15), sobre…
A Lavagem ao Senhor do Bonfim reúne milhares de fiéis há mais de 200 anos…
This website uses cookies.