DE PENSAR –
Convenhamos, o mundo em que vivemos é um tanto desolador. E a existência um frágil fenômeno aleatório ordenado em nós de acordo com a teoria do caos e serendipidade.
Vivemos fartos de tudo: do frio, do calor, da fome, da abundância, da falta; da alegria de ser, da tristeza de estar ou não ter sido; fartos das pequenas e das grandes dificuldades cotidianas; de ter que fazer e comer todos os dias as mesmas coisas; dos dogmas de fé, da esperança messiânica da recorrência de mais um presumível redentor.
Assim vivemos e, assim, cessaremos de existir. Mas, já imaginaram o ser e o estar como meras ficções? Que o que vemos, sentimos e tocamos, seria irreal? Que tudo aquilo incorporado aos nossos sentidos poderia ser, em certa medida, só ilusão? Apenas, a decodificação de ondas elétricas pelo cérebro dos sinais sensoriais de um mundo externo, só aparentemente real?
Despertamos do mundo dos sonhos, por exemplo, durante o período de vigília, no que nos pareceria ser o mundo real. Já que nossas emoções são a consciência do que se diria ser a realidade inexistente, não seria, então, o mundo em que vivemos outro sonho no qual poderíamos também despertar? Paralogismo inapreensível, delírio travestido de argumentação válida?
Nem tanto. As leis da dinâmica e da entropia dão conta que as propriedades percebidas das coisas poderiam não ser reais, por serem determinadas inconscientemente. Na verdade, a imagem mental objetiva que formamos (e só vagamente) se embasa em realidade. E as ilusões surgem quando a análise inconsciente de determinado ato entra em conflito com outro, consciente e raciocinado sobre ele. As formas usuais e as informações com que nos deparamos, no dia-a-dia e a cada instante, através dos nossos circuitos neuronais, determinariam a representação de cada cena.
A interpretação do que vemos é um fenômeno complexo. Existem mais de 30 áreas diferentes no cérebro, usadas na consciência da visão, por exemplo. Umas processam os movimentos, outras, as cores, outras, a distância dos objetos. Lesões em tais áreas (Síndrome de Kosarkov ) implicam cegueira e o desconhecimento dela . Traduzindo em miúdos: o cara é cego , mas não sabe que é cego!
O cérebro faz as coisas mais simples do que elas são na realidade. E essa simplificação, permite a apreensão mais rápida (ainda que imperfeita) da “realidade exterior”, que daria origem às “ilusões de óptica”. Insanidade? Pareceria. Para melhor entendimento, o conhecimento deveria abarcar outros campos da ciência, como o manejo flúidico, a psicurgia, a teurgia de base, a telepatia, a cabala primitiva. Ou, então, partir-se simplesmente para racionalizações sobre o ser e o estar.
Shakespeare, de forma um tanto metafórica, já escreveu sobre isso. “A infinita bondade e perfeição de Deus – diz Descartes – é incompatível com tão pérfida e monumental fraude. Assim, pois, imaginarei que há algo maligno que usou todo o seu gênio para me enganar”. E assim viveremos procurando entender e justificar o nosso ciclo evolutivo. No sentido e na medida em que poderíamos hoje voltar a entender a lógica de braços dados com a magia; como faziam os médicos da antiguidade, esfregando unguentos sobre as armas que causavam os ferimentos, como forma de tratamento.
Ou, então, fazer como Cifra quando diz para Smith encontrando-o num luxuoso restaurante virtual, momentos antes de degustar um belo bife de faz-de-conta: – Sabes? Sei que este bife não existe. Sei que quando o meto na boca é Matrix que está a dizer em meu cérebro: coma, é bom e suculento!
Depois de nove anos, sabes a que conclusão cheguei, Smith? Que a ignorância é a felicidade. Enfim, o difícil de entender nem por isso deixará de existir.
José Delfino – Médico, poeta e músico
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