DA NECESSIDADE DO HÁBITO – José Delfino

DA NECESSIDADE DO HÁBITO –

Falta de assunto dá nisso. Já ouviram falar na regra das dez mil horas? Ela nos dá conta que para qualquer pessoa adquirir domínio técnico no que for, necessário se faz a repetição diuturna. Até a exaustão, de preferência. Significa dizer, do ponto de vista teórico, que se você quiser, por exemplo, adquirir expertise em qualquer instrumento musical, em princípio você deverá levar um mínimo de 10.000 horas praticando-o. Se você gastar 1 hora por dia fazendo tal coisa você deverá passar 27 anos pra chegar ao objetivo. A projeção do cálculo varia em função do empenho e do tempo gasto de maneira uniforme a cada vez que o processo é desencadeado. Mas uma coisa é certa: se você quiser dominar qualquer coisa o que importa é a regularidade e a intensidade do esforço nela colocada. Fácil de teorizar, difícil de por em prática. Muita coisa fazemos sem sentir. Afinal, o cérebro não pensa. Ele se limita a incorporar reflexos de forma automática . Adquirido o hábito, quando acordamos não pensamos (ou não deveríamos pensar) em escovar os dentes, tomar uma ducha ou o café da manhã e ir ao trabalho. Nós o fazemos de forma reflexa por conta das repetições ao longo da vida. Quase sem sentir. Descontado do contexto o dom genético, escondido nas hélices do DNA de cada um, até os gênios não são gênios por acaso. A coisa funciona na base dos 10% de inspiração mais 90% de perspiração (suor, mesmo). Yamandu Costa tem vários violões dispersos na casa dele. Um, inclusive, no banheiro. Quase 24 horas por dia, segundo afirma, vive ele agarrado ao instrumento. Eis a chave do sucesso. Como tentar chegar até lá, ou perto disso? Questão de vontade e autocontrole. Unir a persistência ao prazer de gostar do que se faz. A coisa fica parecida com o reflexo da salivação do seu cão quando você se aproxima para dar uma barra de chocolate, pra assegurar a manutenção do reflexo que você quer dele. Pavlov cantou a bola sobre isso faz um montão tempo. Questão, pois , de tempo e insistência. Como muita gente o faz sem notar ao compor versos , músicas e textos com cálculo e medida .Tudo questão de manipulação da fisiologia mental, meninos. Quem quiser ser bom mesmo em algo específico, só existe uma saída: partir para a repetição neurótica. Até que a vaca tussa. O resto é conversa pra boi dormir.

 

 

 

 

José DelfinoMédico, poeta e músico
As opiniões contidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
Ponto de Vista

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