DA FORMA DE FALAR E ESCREVER – José Delfino

DA FORMA DE FALAR E ESCREVER –

Fumando e pensando aqui sobre um assunto interessante. Os erros de pronúncia. Como um que está sendo veiculado por ora nas redes sociais. Que teria sido cometido pelo Sr. Moro em recente entrevista, ao enunciar de forma errônea o nome próprio “Edith Piaf”, como sendo “Edite Piá”. Não chequei a veracidade da informação. Nem irei atrás. Não costumo dar trela a essas coisas. Não é a minha praia.

Mas me pergunto: por que tanta gozação e celeuma? É comum dentro da gramática se falar em regência e concordância, tanto nominal, quanto verbal. Eles, os sons corretos, deveriam ser respeitados tanto na oralidade quanto na escrita. Mas afinal, quase toda a população (inclusive inúmeros doutos e eruditos) pronuncia o verbete inglês “lockdown” modificando o som do ck do meio da palavra , e omitem o ene final, dizendo “lokidáu”. Claro está que este, talvez, futuro anglicismo, ainda não está estabelecido como tal. Não consta, pelo menos por enquanto, nos dicionários de língua portuguesa.

Questão só de conferir o que se ouve nos podcasts em diversas plataformas, no rádio, e o que se vê todo santo dia nos canais de TV. O nome próprio “Sarah Vaughan”, por exemplo, se costuma pronunciar por essas bandas como Sarah (com o agá final mudo, o que está certo) e o sobrenome “Vôgan”, quando o correto seria “Von”. Os exemplos são inúmeros.

Num ambiente como o nosso onde não se fala muito bem e se cometem erros grosseiros de redação, onde a sintaxe e a concordância são muitas vezes ignoradas, seria correto inferir tal fato como algo relevante, pontual? E pior, específico? Me lembro de uma excelente entrevista do Sr. Lula da Silva, alguns anos atrás, no programa “Hard Talk” da BBC. O presidente falava num português, cujos erros são muito policiados por aqui, entretanto com legendas num inglês correto e castiço. Um hábito polido deles e arraigado por lá, que enfatiza de um certo modo, a diferença entre os países culturalmente desenvolvidos e os que não o são.

Esse puxa-encolhe, este chove-não molha do “piá” poderia ser perfeitamente contornado e/ou evitado. Mas vai custar muito, ainda, incorporarmos o método deles à nossa cultura. Tô querendo polemizar, não. Apenas procurando ser racional. Misturar gramática, erros grosseiros até, na forma de expressão de cada um, de acordo ou não com os ditames da língua com política, é que eu acho foda. Será que haveria predominância dos cultos e letrados no Brasil? Ôxe!

 

 

 

 

José Delfino – Médico, poeta e músico
As opiniões contidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
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