A configuração de ontem chamou atenção especialmente pela proximidade entre a Lua fina e Vênus, o planeta mais brilhante do grupo. Esse tipo de encontro — três planetas alinhados com a Lua bem próxima de um deles — é mais raro do que o alinhamento dos planetas sozinhos, que ocorre a cada 12 ou 15 meses.
A explicação está na geometria do sistema solar. Todos os planetas visíveis a olho nu — Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno — orbitam o Sol em planos muito próximos ao da Terra.
O mesmo vale para a Lua. Como são quase paralelos, vistos daqui da Terra, Sol, Lua e planetas percorrem praticamente o mesmo caminho no céu — chamado de eclíptica, a faixa onde estão as constelações do Zodíaco. Daí o efeito de “corredor” entre eles.
O que vai criando esse fenômeno alinhado é a velocidade com que cada astro percorre esse caminho. A Lua é a que se move mais visivelmente: de um dia para o outro, ela se desloca o equivalente a uma mão aberta com o braço esticado — cerca de 15 graus de arco.
Os planetas andam mais devagar, mas cada um no seu próprio ritmo, o que faz com que essas configurações de proximidade apareçam e se desfaçam ao longo dos dias. A raridade se põe quando eles, nessas velocidades distintas, se alinham no céu.
” O que vimos ontem é um fenômeno mais raro, porque eles aparecem alinhados, como sempre, mas aparentemente bem próximos e com a lua fininha, aparentemente muito próxima de Vênus”, explica Josina Nascimento, do Observatório Nacional.
Nesta quinta (18), logo após o pôr do sol, os quatro astros voltam a aparecer no horizonte oeste.
A ordem, de baixo para cima a partir do horizonte, será: Mercúrio, Júpiter, Vênus e, mais acima, a Lua crescente. Tudo vai ser visto a olho nu.
A condição essencial é ter o horizonte desobstruído. Mercúrio e Júpiter aparecem bem próximo ao horizonte e desaparecem rapidamente, então quem tiver árvores, prédios ou morros no caminho pode não conseguir vê-los. Vênus, mais alto e muito brilhante, é o mais fácil de localizar e serve como referência para encontrar os outros.
O trio de planetas ainda estará visível até o final de junho e início de julho, mas Mercúrio e Júpiter vão descendo cada dia mais em direção ao horizonte — até sumirem para quem não tem visão livre.
Fonte: G1
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