CORONAVÍRUS –

Estou de castigo, como a maioria de vocês. Quinze dias que não boto o pé fora da porta. Na minha idade, safenado, o risco é maior do que o usual. Então, todo cuidado é pouco. Não é que tenha medo de morrer. Todos nós vamos nesse caminho. Mas, enquanto puder demorar, faço meu esforço. Gosto tanto de Natal!

Mas, esse vírus me lembrou de pandemias do passado. Ninguém esquece a peste negra, da idade média, que levou milhões de pessoas. A origem certa não se sabe, mas tudo indica que foram os mongóis que a levaram para a Europa. A principal causa era a falta de higiene. Ratos e pulgas se encarregaram da propagação. O povo era descuidado com higiene e a infecção tomou conta do Mundo Ocidental. Chegaram a culpar os judeus, sempre os judeus, pela doença. Eles eram menos atingidos, pois chegou-se a conclusão depois, tinham um nível de higiene mais alto que os cristãos. Casas limpas, arejadas, tomavam banho. Isso os protegia mais do que aos demais. Já li em algum lugar que um dos Luízes da França tomava banho uma vez por ano.

Também está na memória dos mais velhos a gripe espanhola, muito parecida com a atual, e que também não foi de brincadeira. E houve outras, mais amenas. Na verdade, sempre houve ou há doenças endêmicas. O Brasil é um dos campeões, com gripe, dengue, zica e outras que tais, com os quais já estamos habituados e não nos espantam mais.

Esse vírus me trouxe lembranças do meu tempo de menino, e das doenças que nos acometiam com facilidade. Tive todas elas; sarampo, catapora e caxumba (papeira). Não sei em que ordem. Mas, me lembro de todas.

Minha mãe, com medo que meus irmãos pegassem catapora, por exemplo, me levava para a casa de um tio nosso, Padre Calazans Pinheiro, que tinha quatro irmãs de minha avó, minhas tias, portanto,  solteironas, que adoravam quando eu ia para lá. Cuidaram de mim, como depois de meus irmãos ou irmãs, com o maior carinho.

Acho que fui o primeiro a ter catapora. Ao chegar lá, me colocaram num quarto, cobriram as janelas para escurecer o lugar, e fiquei em redor de uma semana trancafiado nesse quarto escuro. Não me deixavam sair para nada. E me trataram com óleo de rícino, o pior remédio que já tomei na minha vida. Duas ou três vezes por dia, uma colher de sopa e, para tirar o mau gosto, chupava uma laranja. Até hoje sinto o gosto! Ou mau gosto!  E para o sarampo, que também passei lá e com o mesmo tratamento. A papeira, até onde me lembro, fiquei em casa.

E assim aqui estou eu. Prisioneiro sem crimes (e tanto criminosos soltos por aí), aguardando os acontecimentos, mas sem deixar o meu whisky habitual.

 

 

 

Dalton Mello de Andrade – Escritor, ex-secretário da Educação do RN

As opiniões contidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
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