Eu, desde que deixei de morar no Brasil, senti-me mais ainda patriota e muito mais ainda, nordestino. Lembro-me que tínhamos carência de liderança nos esportes, onde Maradona era o novo rei do futebol e apenas despontava para nossa felicidade e bastante orgulho, Ayrton Senna na Fórmula 1. A economia em frangalhos, o poder aquisitivo era diminuto, onde só uma pequena classe social podia voar nas falecidas VARIG, VASP e Transbrasil. Eu pertencia a essa classe e chorava por dentro, porque os outros brasileiros não podiam voar comigo.

Era um contraste enorme entre viver bem e morar na miséria na acepção da palavra. O tempo passou e finalmente eu gritava de alegria com o sucesso de nosso Campeão da F1 e novamente chorava em 1994 por sua morte naquele primeiro de Maio. Posteriormente, fomos campeões do mundial e minha bandeira enorme do meu Brasil seria “hasteada” sobre a minha casa e em seguida, no novo título de 2002.

Então, logo em seguida chegava para governar o Brasil o nosso “grande” Lula, que eu antes de imigrar, já havia votado nele e perdido para Color de Mello. O Brasil era sempre alvo das notícias, como sendo um país em pleno crescimento econômico e social. Como eu vibrava com isso. Com o passar dos anos, ele foi homenageado como sendo “o cara” pelo presidente americano. O Brasil ganhou da FIFA a oportunidade de sediar o mundial de 2014 e logo em seguida, as olimpíadas no Rio de Janeiro. Isso foi o reconhecimento de uma potência!!! A minha potência.

Quanto orgulho, meu Deus… Os amigos me parabenizavam constantemente aqui em Israel. O povo estava “voando” e comendo. Que felicidade!

De repente, um rombo na Petrobras. Depois, a Polícia Federal começou o “Lava Jato” e…. Ai meu Deus!!! É muito ladrão, socorro!!!! Um atrás do outro. Eu fiquei abruptamente pasmo e incrédulo. Na medida que se investigava, mais coisas apareciam até que também o meu então ídolo, o Lula, esse mesmo, o ex presidente do Brasil, era intimado para depoimento na PF. Eu me vi no filme de Cinderela em que minha carruagem virou uma abóbora no meio da noite.

Porém, o pior para mim, foi neste final de semana, ao deparar-me no horário nobre do jornalismo da TV israelense, um documentário sobre toda essa quadrilha profissional que acabou com meu país. Foram 12 minutos de martírio, com muito sofrimento, sendo muito difícil de encarar a realidade, agora, sendo exposta ao mundo. Logo, em rápida reflexão, só podia me envergonhar de ser brasileiro, porque nós colocamos esses ladroes no poder. Se eu e você votássemos no candidato certo, o Brasil hoje não seria a quinta economia mundial. Certamente seríamos a terceira.

Dói  no coração o que fizeram com nosso país. Que, como foi visto na TV aqui, nada me acalma, até que surja uma pessoa com a devida capacidade e credibilidade para conduzir nosso Brasil. Os que estão em Brasília, que Deus nos livre. A única esperança é eleições já é que saibamos votar. Viva o Brasil.

Mario Roberto MeloCorrespondente do Blog Ponto de Vista, em Tel Aviv

Ponto de Vista

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