Existem pessoas que nasceram para sofrer, foi o caso de uma sobrevivente do Holocausto, Mireille Knoll, que aos 85 anos foi encontrada morta em seu apartamento em Paris na última sexta-feira (23). A procuradoria de Paris está tratando a morte como uma ataque antissemita, segundo informa a Agência de notícias France Presse. Sua neta acusou um vizinho muçulmano como ator do crime. O corpo de Mireille encontrava-se parcialmente carbonizado quando foi descoberto pela polícia e pelos bombeiros no seu apartamento situado no 11.º bairro parisiense. A autópsia revelou que a vítima foi esfaqueada pelo menos 11 vezes. Quando os bombeiros chegaram ao local, ainda havia fogo lá. Uma fonte disse ao jornal francês Le Monde que acredita que os assassinos atearam fogo ao corpo da vítima numa tentativa de esconder os vestígios do crime. A Procuradoria de Paris exigiu a detenção provisória de um vizinho muçulmano da vítima, de 27 anos, e de outro suspeito que seria o seu cúmplice, um sem-abrigo de 21 anos que se acredita ter estado presente no momento do crime. Ainda de acordo com o Le Parisien, o primeiro suspeito tinha sido já acusado de violação e agressão sexual à filha menor da enfermeira da octogenária. Knoll morava sozinha em seu apartamento e sofria de Parkinson, se movia com dificuldades e tinha ajuda de uma enfermeira, o que certamente facilitou o trabalho dos criminosos. O filho de Mireille, Daniel Knoll, afirmou que um dos suspeitos sob custódia, e vizinho da sua mãe, que o conhecia desde os sete anos de idade, não era visto há vários meses – depois de ter sido detido por acusações de agressão e violação sexual – tendo reaparecido no dia do assassinato. “Estamos em choque. Não entendo como alguém poderia matar uma mulher que não tem dinheiro e que mora num complexo de habitação social”, disse Daniel Knoll. A neta de Mireille disse em um post na rede social Facebook que o suspeito é muçulmano e que teria esfaqueado sua avó onze vezes e depois teria ateado fogo tanto nela, quando em seu apartamento. Em 1942, Knoll escapou da operação realizada pela Alemanha nazista em Paris contra mais de 13 mil judeus. Ela fugiu com a mãe para Portugal. Entre os detidos na chamada operação do Velódromo de Inverno, que enviou as vítimas detidas a campos de extermínio espalhados pela Europa, menos de cem pessoas conseguiram sobreviver. Aqui em Israel o caso gerou muita revolta, bem como nas comunidades judaicas do mundo todo e uma marcha será realizada na próxima quarta-feira, data prevista do seu enterro.

 

(Mário Roberto Melo – Correspondente do Blog Ponto de Vista, em Tel Aviv, Israel)

 

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