COMUNICANDO EM REALIBILITAÇÃO ONCOLÓGICA – Cinthia Moreno

COMUNICANDO EM REALIBILITAÇÃO ONCOLÓGICA –

Há alguns dias, ouvi de uma profissional de saúde que “somos responsáveis pelo que dizemos ao paciente, mas a interpretação do que é dito é responsabilidade dele e da família”. Imediatamente, pensei sobre o entendimento do que é comunicação, diante de uma doença grave, como o câncer, e sua importância, durante o processo de reabilitação.

Comunicar, do latim communicare, significa tornar comum, compartilhar, trocar opiniões, associar, conferenciar. Na comunicação, há troca de mensagens, ou seja, há emissão e recebimento de informações, e, durante um tratamento de saúde, somos responsáveis por esse recebimento e compreensão de tudo que é passado ao paciente e seus familiares.

Para muitos pais, a notícia de que seu filho tem câncer é devastadora. Enquanto uns compreendem a necessidade de exames, internação e tratamento, agindo com prontidão a tudo que é solicitado, outros, demoram a entender o que está acontecendo. Afinal, são muitas informações novas.

Recentemente, na Casa Durval Paiva, uma mãe, depois de receber o diagnóstico de tumor cerebral de sua filha, com apenas 11 meses de vida, e ficar vários dias internada, compareceu ao setor de fisioterapia para exame físico e avaliação. Ela perguntou: “o que minha filha tem é grave?”, sem ter qualquer noção do que significava um tumor cerebral.

As informações precisam ser passadas de forma clara, objetiva e que todos entendam. Em alguns casos, ao invés de “ele precisa andar de muletas, para aliviar a carga e evitar uma lesão ou complicação no local do tumor”, é melhor “ele precisa andar de muletas, sem colocar o pé no chão, pra não machucar o osso que tem o tumor (ou caroço).” Além da comunicação verbal, é preciso demonstrar os movimentos, que precisam ser realizados, para que o exercício terapêutico seja realizado de forma correta e promova melhora no aspecto físico.

Há pais, que ficam constrangidos em questionar, mas isso deve ser estimulado na família, pelo próprio profissional, pois a informação e o esclarecimento são o caminho para um tratamento efetivo. Orientar sobre o que o paciente pode fazer e o que deve evitar é fundamental, para que ele participe ativamente do tratamento e evite riscos. Entender as etapas do tratamento, principalmente, o período de cicatrização, na fase pós-operatória, faz com que haja o equilíbrio, entre evitar a inatividade e repouso prolongado, mas também o excesso de movimento, que pode ser prejudicial.

Outro ponto, é evitar os julgamentos. Caso o paciente não entenda o que for informado, deve-se buscar outras formas de fazê-lo compreender, facilitando o trabalho fisioterapêutico e as possibilidades de tratamento, durante todo o processo, do diagnóstico até a cura.

 

 

 

 

 

 

 

 

Cinthia Moreno – Fisioterapeuta da Casa Durval Paiva, CREFITO 83476-F

As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores
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