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Comissão apreende celular de Dominguetti após dúvida sobre suposto áudio de Luis Miranda

O policial militar Luiz Dominguetti afirmou à CPI da Covid nesta quinta-feira (1º) que o deputado Luis Miranda (DEM-DF) tentou negociar aquisição de vacinas contra a Covid diretamente com a empresa Davati Medical Supply.

Os nomes de Miranda e da Davati vieram à tona, nos últimos dias, em razão de duas denúncias distintas de supostas irregularidades na compra dos imunizantes.

Dominguetti, que se diz representante comercial da Davati para negociações no Brasil, usou como “prova” dessa afirmação a reprodução de um áudio com a voz do deputado, que teria sido enviada a outro representante da Davati e encaminhado a ele na última semana.

O áudio não traz textualmente a palavra “vacina” – o que levou senadores da oposição a questionar a referência de Dominguetti a esse arquivo. Em razão das contestações, o celular de Luiz Dominguetti foi apreendido pela CPI.

Mesmo antes de reproduzir o áudio, Dominguetti já havia dito que não chegou a tratar diretamente com o deputado Luis Miranda. A conversa teria sido com o CEO da Davati no Brasil, Cristiano Alberto Carvalho.

“O Cristiano me relatava que volta e meia tinha parlamentares procurando, e o que mais incomodava era o Luis Miranda, o mais insistente com a compra e o valor de vacinas. O Cristiano me enviou um áudio onde pede que seja feita uma live, o nome dele, que tinha um cliente recorrente, que comprava pouco, em menos quantidade, mas que poderia conseguir colocar vacina para rodar”, declarou.

Ao jornal “O Globo”, na manhã desta quinta, Cristiano Alberto Carvalho negou que o áudio divulgado por Dominguetti fizesse referência a alguma negociação de vacinas.

Testemunha ‘plantada’

 

O senador Fabiano Contarato (Rede-ES) levantou, na comissão, a suspeita de que Dominguetti tenha sido “plantado” para confundir os trabalhos.

“Com todo respeito, essa testemunha foi plantada aqui. Ela foi plantada, ela está em estado flagrancial do artigo 342. Tem que dar voz de prisão a esse depoente”, disse Contarato.

“Com base em que o senhor fala isso? Plantada por quem?”, questionou o senador governista Marcos Rogério (DEM-RO).

“Com base em quê? Olha aí qual é a conversa, a conversa anterior a esse áudio. Esse áudio se refere a que? Ele se refere a Walmart, a pequenos contratos, ele nunca fez contrato nenhum com o Ministério da Saúde, pelo amor de Deus”, respondeu Contarato.

Luis Miranda e Davati

O deputado Luis Miranda entrou no escopo da CPI depois que o irmão dele, o servidor do Ministério da Saúde Luis Ricardo Miranda, afirmou ao Ministério Público ter sofrido “pressões atípicas” na pasta para liberar os documentos de aquisição da vacina indiana Covaxin.

Os irmãos depuseram à comissão na última sexta-feira (25), quando reafirmaram a existência de irregularidades nesse processo. O deputado disse que levou as denúncias ao presidente Jair Bolsonaro – que teria citado o nome do líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR) como possível envolvido e prometido levar o caso à Polícia Federal.

Bolsonaro já confirmou que se reuniu com os irmãos Miranda, mas disse que não ouviu tais denúncias da dupla.

Já a empresa Davati entrou no radar da comissão em razão de outras denúncias, feitas por Luiz Dominguetti ao jornal “Folha de S. Paulo” e divulgadas na última terça (29).

Segundo Dominguetti, que se diz representante da firma, o então diretor de Logística do Ministério da Saúde, Rodrigo Dias, pediu propina de US$ 1 por dose de vacina da empresa Astrazeneca ao negociar um contrato de compra de 400 milhões de doses.

A Davati seria uma intermediária dessa transação, de acordo com Dominguetti. A empresa, no entanto, informou que Dominguetti é um “vendedor autônomo” e negou ter convênio para venda da vacina da AstraZeneca. Em nota, a AstraZeneca afirmou que não tem um intermediário no Brasil.

Na noite de terça, após a publicação da “Folha”, Rodrigo Dias foi exonerado. Na quarta, Dominguetti foi convocado pela CPI e, nesta quinta, compareceu ao Senado para prestar depoimento à comissão.

Fonte: G1

Ponto de Vista

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