Diógenes da Cunha Lima

Além de ser chamado de O Senhor das Areias, Saint-Exupéry registra (1927) em cabo-Juby, na África, que os mouros dão-lhe um belo nome: O Comandante dos Pássaros. De fato, a sua vida foi a de um piloto e a de comandar pilotos, escrevendo sobre a sua experiência, emoções, imaginação, de altura e voo.

Um nome próprio é mais do que identificação, é destino. Antoine Jean Baptiste Marie Roger de Saint-Exupéry é, certamente, digno de apreço, fama, precursor como João Batista. Tinha o destino de elevar-se como indica o verbo latino exuperare.

Voa a primeira vez, ainda quase adolescente, em Saint-Maurice-de-Reimens. Acha bonito a perfeita integração entre mecânicos e pilotos. Mais tarde, faz-se piloto, mecânico e narrador no mais belo e difundido dos seus livros, O Pequeno Príncipe (1943).

Em carta à sua mãe, disse ter sabido que a China precisava de pilotos e pensou ir para lá dirigir uma escola de aviação. Indo trabalhar em Orly (1923), declara que adora esse trabalho. Nas alturas, encontra calma e solidão. Confessa, ainda, que seu único consolo é voar  porque sente que há nobreza no perigo.

Para Antoine de Saint-Exupéry viver é voar.

Destemido, torna-se militar em aviação de caça, depois, piloto civil. Em Rabat, com seis meses de treinamento, recebe o título de Piloto de Guerra e foi feito subtenente. Trabalha na Latécoére e em sua sucessora, a Aeropostale. Termina a sua vida como Capitão da Força Área, lutando pela liberação da França, desaparecendo no céu do Mediterrâneo em 1944.

Poeta, ávido leitor de Filosofia, filósofo, o escritor consagrou a sua vida ao belo, ao bem, ao ético. Depois do seu último voo, em sua sala, foi encontrada a anotação: “Eu não me preocupo se eu morrer na guerra… mas se eu voltar vivo desse trabalho ingrato, mas necessário, haverá apenas uma questão para mim: O que dizer para a humanidade?”

Na fase heroica da aviação, um dos pioneiros, Saint-Ex foi o comandante desses pássaros em Juby, Dakar e Buenos Aires, e escreve: “Dakar é bem feia, mas o resto da linha, uma maravilha” (carta à mãe, em 1927). Depois, compara Buenos Aires a um deserto.

Amou o movimento, dominando o espaço, tinha a condição ideal para a reflexão e a liberdade.

Nas alturas, o que pensava o comandante dos pássaros, um dos mais notáveis escritores da língua francesa? O que buscava? Certamente, buscava conquistar um sentido para sua vida, o sentido para a vida dos homens.

Diógenes da Cunha Lima, Escritor, Poeta e Presidente da Academia de Letras do RN

 

 

Ponto de Vista

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