COISAS QUE EU VI, OUVI OU VIVI: COISAS DO RÍTIMO DO TEMPO –
TEMPOS DE ANTIGAMENTE
Lembro da rigidez disciplinar, tanto na educação familiar, como na educação formal dos colégios, e até nas regras sociais adotadas, do tempo quando ainda éramos crianças.
À época, tínhamos muitas limitações, por sermos “de menor”, e desejávamos que o tempo passasse rápido, para que alcançássemos a idade que nos permitiria acessar o que nos era proibido.
Os filmes, desde que contivessem algo sobre sexo, assim considerados, beijos e pequenos “amassos”, ou mesmo coisas entendidas como de comportamento adulto, eram proibidos para menores de 18 anos.
Hoje, os nossos namoros da época, soam ridículos, na visão atual dos jovens da mesma idade que tínhamos, e as proibições que sofríamos, são consideradas absurdas.
Muito mais poderia ser relembrado, para falar de como passava devagar o nosso tempo.
TEMPOS DE AGORA
Era de se imaginar, que hoje em dia, apenas os velhos tendessem a achar que o tempo passa rápido, uma vez que caminham para a velhice e como consequência, para a inevitável, mas indesejada morte.
Isso é o que me parecia, achando que os jovens, não pensavam assim.
Porém, conversando com o meu sobrinho Ricardo Ivan, e Luciana, minha sobrinha e afilhada, sobre essa história da rapidez com que os adultos estão vendo o tempo passar, ela me fala que a juventude atual também vê da mesma forma.
Mãe de dois adolescentes, me conta que seu filho Lucca, de 10 anos, certa vez lhe falou, chorando, que a infância dele estava passando muito rápido e ele não queria isso, porque gosta muito de ser criança.
Trocando ideia sobre o assunto, com um amigo meu, diz ele: Toinho, o tempo, para todo mundo, está passando tão depressa, que a pessoa só percebe, quando ele vira lembrança.
Enfim, estou convicto que velhos e jovens estão possuindo a mesma sensação, e que essa constatação nos remete a pensar nas causas desse fenômeno, e refletir sobre o porquê desse sentimento.
A IMPORTÂNCIA DA INFORMAÇÃO
Pode-se deduzir, entre outras ideias, que antigamente o tempo parecia passar devagar, porque havia menos estímulos para correr em busca de objetivos, implicando em menos pressa.
Por outro lado, tudo contribuía para que não houvesse estresse, pois, a vida corria devagar, e esperar que as coisas ocorressem, era um componente que fazia parte da vida.
Alguém me lembra, que a lentidão ou a rapidez da informação, tem um grande significado, uma vez que as notícias das ocorrências, são transmitidas conforme as possibilidades dos veículos de comunicação.
Então, lembrei-me, que até a década de 60, nos cinemas, passava um ”jornal” antes dos filmes, trazendo “flashes” de jogos de futebol, coisas da política e notícias internacionais – tudo acontecido vários dias atrás.
Embora com o atraso, a assistência vibrava, como se os fatos estivessem acontecendo naquele momento, apenas por estarem vendo as imagens, que eram desconhecidas.
Eles eram os telejornais da época, chamados “cinejornais”, que deixaram de existir com o advento da televisão, que encurtou o tempo entre a ocorrência do fato e sua divulgação, e hoje, as transmissões são feitas em tempo real.
As cartas, também eram veículos de transmissão de informações, que, obviamente, ao serem lidas, transportavam o destinatário para momentos passados, ilustrados pela descrição do autor, que transmitia, através das letras, seus sentimentos.
Muitas letras de músicas antigas, falam de cartas de amor, e muitos livros retratam a sua importância como registros, embora no momento da leitura, já estivessem distantes das ocorrências.
Até os sentimentos, já podiam ter sido modificados.
Como registro, não esquecer a importância da carta de Pero Vaz de Caminha ao Rei D. Manoel, descrevendo a terra descoberta por Cabral.
Por outro lado, por conta do imediatismo – atualmente presente às ações – a vida passou a ser vivida em ciclos curtos, cujas consequências podem levar, até os jovens, a terem a sensação de que “o tempo passou depressa”.
Portanto, a sensação de rapidez com que o tempo passa, que antigamente não era sentida, agora está presente no sentimento de velhos e jovens.
Pode-se até dizer, que na verdade, o que mudou foi o ritmo que imprimimos à vida.
EXPEDITO E SUA IMPRESSÃO
Diante das dificuldades que trazem as deduções, para que se chegue às conclusões, ligo para o meu filósofo Expedito, e entro, de imediato, no assunto da velocidade com que o tempo passa hoje em dia, perguntando qual é a sua sensação
Ele “matuta” um pouco e diz: Dôtô, o tempo é o mermo. Nóis é qui mudô, purquê, a vida mudô as manêra de nóis vivê.
Antis nóis num tinha tanta inzigênça. Agora, nóis só vêve imbaxo di orde, e o tempo intérmina cendo pôco prá qui nóis dê conta de tudo, no mermo tempo qui nóis tinha antis.
Antis, o horáro prá acordá quem dava era os galo, e as veis, a gente si ixpriguiçava na rede, virava pru ôtro lado e dava mais um cuxilinho, póis as cobrança num inzistia comu hoje.
Agora, já si pograma nu celular, prá si dispertá, e casu num si alevante, ele toca inté dá uma dô.
Ói Dotô. Eu concordo qui as coisa di agora, tem tendença di paricê qui anda mais dipreça.
Mais veja. As hora num mudô e tudo depêndi da vida qui o freguêz véve.
Cumpadre Ciço, diz qui corrê atráis di filicidade dá uma cancêra danada, e eu axu qui êle tem rasão.
Daí, eu digo qui imbora o tempo seija di Deus, nóis é qui faz a tuada, dependendu comu nóis vái tocando cada momento da vida.
O seu amigo Haroldo Azevedo, filho de Seu Alínio, lá da fazenda Sombrio, de Jardim do Seridó, uma veis mim dice qui Haroldinho, filho dele, comia o chocolate bem divagazinho, prá demorá a si acabá.
É acim qui eu vêvo cum Cristina. Nóis véve dando valô a cada minuto, prá qui a vida demore mais a si acabá.
Entonces, a préça num é coisa boa, e nóis deve mandá no relojo da vida, dando importânça aus momento bom, e improcurându num tê nada de rim, prá vivê.
A insperiênça mim diz, qui si pode inté num vivê corêndo atráis di filicidade, mais tem di tê cuidado, prá num dexá ela iscapá.
É Expedito. Como sempre, tenho de me render à sua forma simples de entender o difícil.
É verdade. O relógio do tempo continua marcando as mesmas horas, mas a forma de tocar o ritmo da vida, quem mudou, fomos nós.
Expedito, e como vai Cristina? Como andam as coisas aí pela Barra do Cunhaú?
Dotô. Cristina vai muito bem, obrigado, mas nosso verôneio aqui pela Barra, inda bem nóis num chegâmo, já tâmo perto de vortá.
Responde ele, fazendo alusão a passagem rápida do tempo.
Chegâmo no fim du anu, e já tá quaxi chegando o carnavá, qui adespois dele, nóis vãmo tê qui vortá pru Seridó, prá vivê as taréfa de prantio do inverno.
Pur quê o Sinhô num vem vê nóis?
Flávio Henrique trove do Pará, um tambaqui e uns quilo de peixe filhote, e, sexta feira, vâmo fazê um churrasco de tambaqui e uma caldêrada de filhote.
Antes que eu possa responder, dizendo da dificuldade de estar presente, por conta de outros compromissos, escuto Cristina gritar: “mozinho, está se esquecendo de namorar”?
Não podemos perder esse lindo momento, com a lua iluminando o mar da Barra do Cunhaú.
Larga esse celular, que o negócio é sério. Diz ela, rindo com alegria.
E ele, caindo na risada, responde: qui é isso amô? Já táva era sintindo farta…
KKKK.
Diante da perspectiva que se apresenta, rindo de felicidade, Expedito diz: tá vendo? A vida é acím.
Xáu Dotô.
Se despede, e “parte pro abraço”.
Como ele não desliga o celular, escuto sua voz cantarolando uma das bonitas músicas de Dorival Caymmi:
Quem inventou o amor
Não fui eu
Não fui eu, não fui eu
Não fui eu, nem ninguém
O amor acontece na vida
Estavas desprevenida
E por acaso eu também
E como o acaso é importante, querida
De nossas vidas a vida
Fez um brinquedo também!
Antonio José Ferreira de Melo – economista, antoniojfm@gmail.com
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