Ana Luíza Rabelo

É engraçado como a maior parte da sociedade se considera humilde e altruísta. É até bonito colocar fotos nas redes sociais fazendo o bem, ajudando o próximo desinteressadamente. Acontece que para o subconsciente da maioria não funciona dessa forma.

Muitos pensam que “merecem” alguma espécie de “retorno cármico” pela sua boa ação: Ah! Eu ajudei um necessitado, então Deus (o universo, a mãe natureza ou aquilo que se acredita ser a força do mundo) tem obrigação de retribuir (às vezes em triplo!!) aquela boa ação.

Ocorre que não se anota troca de favores. Se eu fiz pensando ou querendo ganhar, já ganhei. Zerou a conta. Ganhei um traço de bondade na minha natureza egoísta que ainda é regida pelos instintos de sobrevivência do nosso Homem das Cavernas.

Dar e se arrepender também não é um grande salto no quesito evolução moral. Então, qual é a solução? Como nos tornaremos menos ‘eu’ e mais ‘nós’?

É fato que cada um dá aquilo que tem e recebe aquilo que deu. Se dou com ignorância, com desprazer, com desejo de recompensa, de gratidão eterna, eu não dei nada.

O que esquecemos, às vezes, são as lições que foram ensinadas há mais de dois mil anos por um jovem pregador.

Tudo o que Ele queria era nos ensinar o amor em uma lição: amai ao próximo como a ti mesmo.

Então, quando passamos na rua, quando ajudamos, quando somos impacientes, quando exigimos atenção ao invés de ofertá-la, devemos pensar nessa lição: o próximo sou eu e o que eu quero receber? Amor, fé, esperança, atenção e carinho ou descrença, raiva e impaciência?

Tudo o que fazemos e cada pensamento por trás disso refletem diretamente na pessoa que nos tornaremos, lembrando que somos alvo de mudanças diárias.

E, enquanto dermos querendo o retorno, vai sempre ser nulo, mas quando aprendermos a desapegar da espera ‘do retorno’, aí, sim, nesse momento, começaremos uma mudança interna que nos levará aos lugares que queremos ir sem ter que pedir.

Nenhuma mudança ocorre da noite para o dia, mas cada pequeno passo é único, é útil e maravilhoso e, sem arriscar fazer essa mudança, a vida fica estranha, sem propósito.

Encontre o que há de melhor em você e distribua com amor, sem julgar, sem querer ser gratificado ou agradecido. Agradeça a oportunidade de fazer e a vida sorrirá mil vezes para você!

Ana Luíza Rabelo – Escritora e advogada – (rabelospencer@ymail.com)

Ponto de Vista

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