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Chefe das Forças Armadas dos EUA alertou China para saúde mental de Trump, diz livro

O chefe das Forças Armadas dos Estados Unidos estava tão alarmado em janeiro deste ano com a saúde mental de Donald Trump que tomou medidas secretas para evitar que o então presidente americano desencadeasse uma guerra com a China, revela um novo livro.

O general Mark Milley, chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, também ordenou que seus subordinados não agiriam sem o seu consentimento caso Trump desse qualquer ordem para usar o arsenal nuclear americano, segundo os jornalistas Bob Woodward e Robert Costa.

O jornal “The Washington Post”, onde os jornalistas trabalham, divulgou na terça-feira (14) trechos do livro “Peril” que mostram Milley organizando o Pentágono e a comunidade de inteligência americana para resistirem a qualquer eventual movimento errático de Trump.

Milley conversou com outros funcionários do alto escalão do governo americano, como a então diretora da CIA, Gina Haspel, e o chefe da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês), Paul Nakasone, sobre a possibilidade de Trump agir de forma irracional.

O chefe das Forças Armadas americanas também entrou em contato com o general chinês Li Zuocheng para tranquilizar o maior rival dos EUA. As medidas foram tomadas após a derrota de Trump para o atual presidente americano, Joe Biden, e a invasão do Capitólio.

Ele telefonou duas vezes para Zuocheng: a primeira em 30 de outubro de 2020, dias antes da eleição, e novamente em 8 de janeiro de 2021, após apoiadores de Trump invadirem o Congresso americano. Em ambas, Milley procurou assegurar à China que a retórica de Trump não levaria a ações militares.

Preocupação nuclear

Milley recorreu ao canal secreto com Li em meio à preocupação com a instabilidade emocional de Trump. Para acalmar a China, o chefe das Forças Armadas americanas chegou a adiar exercícios militares na Ásia.

“Alguns poderiam argumentar que Milley extrapolou sua autoridade e atribuiu a si um poder extraordinário”, dizem os jornalistas. Mas ele acreditava estar agindo “para garantir que não houvesse uma ruptura histórica na ordem internacional, tampouco uma guerra acidental com a China ou outros, nem o uso de armas nucleares”.

Procurado, o Pentágono não quis comentar o assunto. Já Trump usou palavras duras contra Milley e o culpou pela retirada caótica do Afeganistão: “Suponho que será julgado por traição, porque teria estado negociando com o colega chinês pelas costas do presidente”.

‘Está louco’

A segunda ligação para Li foi feita após a presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, Nancy Pelosi, entrar em contato com Milley para discutir a saúde mental de Trump (e sua recusa em reconhecer a vitória eleitoral de Biden).

Woodward e Costa obtiveram uma transcrição do telefonema de Pelosi.

“Se não puderam impedi-lo de invadir o Capitólio, quem sabe o que mais ele poderá fazer?”, questionou Pelosi. “Está louco, você sabe que sim, e o que ele fez ontem é mais uma prova da sua loucura”.

Reação dos republicanos

Congressistas republicanos não demoraram a atacar Milley. Marco Rubio, senador pelo Texas e ferrenho defensor de Trump, pediu a Biden que destitua o general.

Rubio afirmou que Milley “trabalhou para minar ativamente o comandante-em-chefe das Forças Armadas dos Estados Unidos e contemplou um vazamento traiçoeiro para o Partido Comunista Chinês de informações classificadas”.

“Essas ações do general Milley mostram uma falta clara de bom senso e lhes peço que o demitam imediatamente”, afirmou o senador em uma carta ao atual presidente americano.

Fonte: G1

Ponto de Vista

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