Valério Mesquita*

No dia 12 de maio celebra-se cento e treze anos de morte do aeronauta, cientista, deputado federal, pesquisador, escritor e pioneiro da aviação Augusto Severo de Albuquerque Maranhão.

Nasceu em Macaíba a 11 de janeiro de 1864, num sobrado já demolido na praça que tem o seu nome. Filho de Amaro Barreto de Albuquerque Maranhão e Feliciana Maria da Silva e Albuquerque, Augusto, enquanto garoto e adolescente, teve mais contato com a cidade, dividindo-se com Natal onde fez os estudos preparatórios. Matriculou-se na Escola Politécnica no Rio de Janeiro, onde o clima foi hostil a sua saúde, voltando para o Rio Grande do Norte. Recuperou-se mas não quis retornar ao Rio para concluir os estudos, dedicando-se ao magistério no colégio fundado por seu irmão Pedro Velho. Trabalhou no Porto dos Guarapes com Fabrício Gomes Pedroza, mas logo envolveu-se nas agitações políticas pela causa abolicionista e na propaganda republicana, onde destacou-se como orador e jornalista.

Foi deputado ao Congresso local em 1892 e no ano seguinte deputado federal reeleito sucessivas vezes até a sua morte. Mas, apesar de haver desempenhado a vida pública com brilhantismo, não foi através dela que se tornou famoso mundialmente. Foi, exatamente, a pesquisa e o estudo desenvolvidos desde o verdor dos anos para descobrir a dirigibilidade dos balões. O ano de 1893, assinala definitivamente o marco de sua luta cientifica no enfrentamento das maiores dificuldades para provar a sua teoria. Quando obteve do governo federal a autorização e aporte financeiro para que fosse construído no Realengo (RJ) um pequeno balão para provar as suas experiências e o valor do seu invento, surgiram inimigos políticos que lograram a revogação da ordem anterior, prejudicando o seu projeto.

Ato contínuo, Severo não desanimou, e em 1901, seguiu para Paris. Com os recursos próprios e de doações de amigos construiu o balão Pax para voar na efervescente capital da Europa, para onde haviam aportado os mais consagrados inventores e pioneiros da aviação no crepúsculo do século dezenove e nos albores do século vinte. “O balão subiu, obedecendo docilmente o seu comando, mas, num momento dado, a explosão do motor produziu o incêndio da aeronave e a sua consequente queda, sendo Augusto Severo precipitado, gloriosamente morto, sobre a Cidade Luz”, é a descrição histórica, repetida e triste do dia 12 de maio de 1902, da morte do mártir da ciência e patrimônio moral da humanidade.

Mas a pergunta que não quer calar e que desafia os pesquisadores e biógrafos do aeronauta é a seguinte: Severo não teria sido vítima da dificuldade financeira que lhe impôs a aquisição de equipamentos de inferior qualidade? Ele mesmo reconheceu, aflito, que poderia ocorrer um sinistro. Mas o entusiasmo e o afã de servir à ciência, á humanidade foram superiores ao medo físico, à dor e à saudade de deixar a família que unida assistiu contrita o desenlace em Paris. Um inventor brasileiro ao qual o Governo da União fechou as portas, obrigando-o ao “asilo” na França para provar o seu invento. Se fosse hoje, o presidente da República teria o repúdio da sociedade porque o país que expulsa cientistas só merece a lata do lixo da história.

Por tudo que Augusto Severo sofreu, desde as humilhações no Brasil até a terrível dor física do corpo em chamas, sem renegar a pátria, merece com justiça e justeza que todos os potiguares se unam numa prece votiva pelos cento e treze anos dessa tragédia.

Valério Mesquita – Escritor, presidente do IHGRN – Mesquita.valerio@gmail.com

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