CENTENÁRIO DE MÚCIO VILAR RIBEIRO DANTAS –
A bondade do dr. Múcio Vilar Ribeiro Dantas promovia-se tanto quanto a sua inteligência jurídica. Foi o eterno consultor geral não só do Estado mas de todos nós, alunos e advogados, ao longo de sua travessia. Foi político, agropecuarista, professor universitário, advogado, mas a sua marca indelével, registrada e intransferível jamais se desligará da figura maior de cultor da ciência jurídica e da cultura humanística que armazenou ao longo do tempo.
Um homem de claridades interiores. De estatura alta, porte elegante, forte sem ser gordo, olhar penetrante e fala pausada, era o nosso professor de Teoria Geral do Estado, dentro da sala de aula, na velha Faculdade de Direito da Ribeira. Constitucionalista profundo, o professor Múcio nos passava, de início, a impressão repentina de um homem rico que pouco ligava com o ensino e o destino dos seus alunos. Era o contrário. Importava-se com o que ministrava. Preparava com esmero o seu plano de aulas e estabelecia longos debates com os seus alunos sobre as ideias e teorias de Rousseau, Montesquieu, Thomas Hobbes, Bossuet, Tocqueville.
A imagem que o dr. Múcio me imprimiu foi a de um homem de bem, bondoso, amigo intransigente e de honestidade pública inatacável. Poderia ter alçado voo mais alto na política quando exerceu o mandato de deputado estadual pelo antigo Partido Social Progressista. Foi contemporâneo do meu pai, Alfredo Mesquita Filho na Assembleia Legislativa, legislatura de 1954 a 1958. O Estado do Rio Grande do Norte e a Universidade Federal passam, agora, com o seu desaparecimento, a dever um preito de gratidão a esse excepcional homem público que honrou as letras jurídicas, o ensino universitário e a própria vida política, legando um exemplo de honradez e respeito.
Como orador, assisti o professor Múcio dissecar temas jurídicos e humanísticos com primor e elegância, sem cair na vala comum do despautério. Relembro nessas impressões esparsas, o seu vulto de homem modelar e me envaideço, não só por tê-lo conhecido, privado de sua amizade que se estende ao seu filho Marcelo Navarro Ribeiro Dantas, mas, também, por constatar que um jurista de sua estirpe existiu no cenário da vida pública do Rio Grande do Norte.
No ensejo do seu centenário de nascimento tributo todas as homenagens!
Valério Mesquita – Escritor, mesquita.valerio@gmail.com
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